04/01/2026

AGORA, YOGA!

 

Agora é tempo de Yoga![1]

Grupo das Cobras&Serpentes.[2]

Significados&Significações para Assentamentos no Espaço Interno&Subjetivo.[3]

As posturas podem nos sugerir várias atitudes&motivações para a meditação durante suas posições finais oferecidas pela Hatha Yoga. Uma delas, talvez a mais nobre dentre outras, é a serpente que nos oferece a oportunidade&possibilidade de “partir” em busca do si mesmo, da nossa própria natureza original.

Para tanto, temos um fundamento disponível que deriva do Samkhya, no contexto da concepção da origem do universo, desde a própria consciência em si mesma. Como sabemos, nesta doutrina que dá base ao Yoga, existem duas faces distintas, mas que representam apenas uma única natureza: Purusha&Prakriti. Por que existe apenas uma realidade última? Porque são idênticos&indiferenciados, existindo de forma imutável&infinita, sem limites!

Num determinado momento, a matéria recebe um desconforto provocado do espírito, que cresce dez dedos, e continua infinito. Como assim? Ele cresceu do avesso, virando-se para dentro. Então, a matéria se desdobra em princípios que vão formar o universo. Esse processo cria dois pares de opostos primordiais: masculino&feminino!

Os dedos são vazios&finitos, cuja essência de vacuidade&finitude é que dá origem, que alberga o universo manifestado. Claro, esses dedos não preenchem plenamente o espaço primordial, representado pelo Infinito&Absoluto. Essa essência limitada&condicionada é preenchida imediatamente pela matéria, que se desdobra&enumera, primeiramente em inteligência cósmica (Mahat) e na consciência individual (Citta), em sequência (vertical). Essa dupla produz a tríade, em bloco (horizontal): o intelecto racional (Buddhi), a mente/pensamento (Manas), cujo conjunto forma&gera o princípio de ego ou da individualidade&separatividade (Ahamkara). Daí, sucessivamente, outros elementos constitutivos da matéria (Prakriti) emergem, de acordo com o Samkhya: órgãos de ação&percepção, além das substâncias estruturantes do universo em si. Está configurada a criação&manifestação do Universo, segundo a enumeração plena do Samkhya.[4]

Há, portanto, uma grande diferença da concepção do universo segundo a ciência. Ela, a ciência, criou o entendimento do Big Bang, que formou átomos&moléculas e, em desdobramentos progressivos, faz surgir a vida, configurando, finalmente, a consciência. Portanto, na mitologia&cosmologia hindu, a consciência vem em primeiríssimo plano. Ou seja, o desdobramento do espírito (Purusha) oportuniza a matéria (Prakriti) consubstanciar o que experimentamos&experenciamos em termos de vida&morte&renascimento. Em outras palavras, somos o final do processo, viemos da consciência universal, da natureza primordial (Purusha&Prakriti) para a matéria manifestada e estamos convidados&condenados a reverter o processo, retornando à consciência infinita&absoluta. Diga-se de passagem, já somos essa Consciência!

Como? Essa é a pergunta fundamental que o Yoga, enquanto união&fusão de toda multipilicidade&diversidade, nos ajuda a responder! Aí, nesse cenário, temos a ferramenta&mecanismo da criação subjetiva, de perceber&intuir, como que surgindo na mente de Purusha (espírito), e acontecendo na matéria (Prakriti), como um aspecto&atributo dele próprio, isto é, do si mesmo. Dentro desse escopo, podem ser evocadas infinitas situações&condições, sendo uma delas a da serpente, que, como elemento mítico&místico, representa esses fenômenos cósmicos da criação, como desdobramento da&na mente.

Bastão (Dandasana).[5]

A postura do bastão pode nos oferecer esse espaço interno&subjetivo de assentamento. É que dentro do Yoga nos interessa uma determinada serpente, que sai do fogo cósmico e entra dentro de nós, caracterizando&formando nossa natureza única&original. É a Kundalini, o fogo serpentino, a serpente cósmica, que é macro, mas que em nós resta micro, ao se instalar dentro de nossa coluna vertebral.

 Ou seja, a coluna vertebral tem vida própria. No Dandasana (postura do bastão), que é, essencialmente, um cajado de poder&autoridade, ela pode se manifestar. A Kundalini constitui nossa natureza espiritual. Mas que poder é esse? É o poder sobre nossa mente. Sabemos que no Yoga, a mente controla o Prana, e o Prana controla a mente. Por que controlar a mente? Para ajustar&alinhar&assentar os três eu’s, isto é, o do corpo, o da mente e o do coração. Ou seja, o coração, por meio de Isvara, comanda; a mente, por meio da inteligência, decide; e o corpo, em equilíbrio, obedece. Ou não! Objetivamente, a mente pode não obedecer, e pode, biologicamente falando, prejudicar o corpo. Por isso, o devido&correto assentamento no espaço interno&subjetivo é importante&necessário. Dito de outra forma: os três eu’s em equilíbrio&equanimidade desvelam&revelam o Atman, o Quarto (Turiya), o Eu (Sat&Chit&Ananda)! Assim, a mente pode servir de ponte entre o corpo e o coração, onde habita o Ser, iluminando o ego com a Luz da consciência!

Kundalini dá&oferece esse poder para assumirmos o controle da mente! Neste sentido, o fogo serpentino pode escancarar as portas da libertação, mas também pode nos trazer problemas&entraves. Objetivamente, com o canal central (Sushumna) obstruído pode-se até entrar em desequilíbrio mental. Para fins do Yoga, é necessário observar o Dharma, atender nossa vocação espiritual, além de observar&atender a ética ióguica. A prática consubstancia o caminho da transformação. Ou seja, para obter benefícios devemos pensar&falar&agir de acordo com a nossa natureza original, caso contrário teremos problemas. O fogo cósmico sem obstruções virá vigor, expressividade e, sobretudo, consciência. Na prática, ela sobe serpenteando pelo canal central em direção&sentido ao espaço mítico&místico do coração, fortalecendo o poder do equilíbrio interno. O espaço do coração está representado pelas oito direções de Shiva, que correspondem às oito pétalas do seu chacra (Anahata).

Ela pode subir firme em equilíbrio imparcial, constante e pleno ao encontro do Eu. Sobe em direção&sentido da consciência infinita&absoluta (Brahman). Desta forma, invertemos o processo de criação do universo, que veio da perturbação do espírito (Purusha) expressa por fenômenos cósmicos na matéria (Prakriti). Portanto, podemos sair do mundo manifesto pelo recolhimento dos sentidos; Yoga, recolhimento dos turbilhões&vórtices de pensamentos&volições da mente (Citta), para mergulhar no Infinito, desde o Universo. Mergulhamos em Purusha (espírito), na plenitude do si mesmo, saindo do avesso e entrando no Infinito, no espaço imperecível&indestrutível. Esse exercício pode ser vivenciado com&no Dandasana. Quando estiver nela, em sua posição final, coloque as mãos em oração e medite nesse significado&significação! Vejam, abaixo, uma imagem ilustrada do bastão.

 

Caixa de Texto: Trata-se de uma variação à versão original, conforme sugerida pelo professor Carlos Eduardo. A imagem em si foi trabalhada por IA, com ajuda do amigo Ivo, como todas as demais.Imagem em preto e branco de mulher sentada no chão

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Bhujanga, a cobra.

Caixa de Texto: A atitude da postura é de controlar nossos desejos. Com a coluna vertebral recurvada, os braços sustentam a posição final.Desenho de uma pessoa

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As mãos&braços representam a força do nosso agir&fazer; nossa capacidade de realização. E isso simula a cobra, pois é similar aos seus movimentos de deslocamento curvilíneos. Os olhos da cobra apontam para a mente, onde nutrimos nossos desejos; seu olhar encanta como a mente enfeitiça. As cobras são forças livres; e com venenos são perigosas. Aí reside a metáfora, que aponta para a atitude de controle dos desejos. Então, é controlar a mente ou fugir do controle, pelo fascínio dos desejos. A mente seduz, encanta e conduz seus próprios caminhos ou descaminhos, pois existem explicações para o certo&errado. Se não controlarmos a mente, ela nos controla. Devemos, então, reforçar a atitude&motivação correta&adequada e aprofundar&realizar o nosso Dharma.

Para tanto, e por outro lado, o estufar do peito na posição final pode empoderar nosso coração, onde reside o comandante Isvara. Devemos buscar forças para nos estabelecermos na nossa identidade interna, assumindo o comando da nossa vida. Assim, evitar sermos levados pelos comandos alheios, externos.

O poder da cobra está representado pelo seu assento no pescoço de Shiva. Com esse poder devemos assumir nosso Dharma, lançando mão do controle da mente, enquanto objeto de meditação durante a posição final da cobra. A vida de Yoga é ganha quando controlamos nossa capacidade de realizá-la!

Sarpa, a serpente.[6]

Sarpa significa rastejar em conexão com o solo, simbolizando um movimento tortuoso. Pensamentos&palavras&ações sem espontaneidade, que apontam para coisas não naturais, podem sinalizar um simbolismo que fundamenta o falso. Ou seja, Sarpa simboliza um discurso divergente. O que o yogin tem que praticar é um pensamento simples, correto e sem devaneios. É o que a meditação em Sarpasana pode nos ajudar. Senão vejamos.

O objetivo de Sarpasana é converter uma mente oscilante numa firme, qual a postura linear de um bastão. Esse movimento retilíneo serve como uma ponte entre o ponto de partida e de chegada. Aqui, novamente a simbologia da Kundalini deve ser aplicada. Ou seja, o fundamento da postura é o sorver o Prana para dentro de todo o corpo, reconhecendo-o, para, sem oscilações, conduzi-lo para cima. Esse preenchimento traz benefícios, assim como em Bhujangasana, como o despertar de percepções clara e intuições puras. Em nível fisiológico, o Prana, absorvido durante a prática, se expande&preenchendo, não só nossa estrutura de órgãos&tecidos, mas, igualmente, toda rede de canais sutis, ampliando a disposição&inteligência do corpomente. É como se tomássemos um banho no oceano de Prana primordial&essencial. Objetivamente, o Prana carrega&conduz o ar para dentro do corpo, fluindo no ir&vir existencial, vale dizer, dando sustentação aos movimentos das mãos&braços etecetera, inclusive sangue. Esta é a visão filosófica do Yoga; isto é sorver o Prana.

Então, sorvendo&invertendo o Prana temos a oportunidade de direcioná-lo para o coração e, desde aí, obter uma experiência extática de quase morte. Ou seja, transformando-o de descendente em ascendente, pelo canal central (Sushumna), é possível experenciar&experimentar nossa natureza espiritual.

Neste processo, tanto na conquista da autorrealização quanto na obtenção dos benefícios, há de se conversar com o Prana, pedindo que promova a atuação do fogo de Kundalini. O calor carrega mais do que calor; carrega sinais de origem bons&ruins. E o yogin deve estar preparado, como tem sido dito, obediente&fiel ao Dharma. A base desse calor é a nossa identidade espiritual, que se manifesta com o Prana ascendente.

Portanto, Sarpasana é uma postura de purificação! A meditação na postura final, semelhante ao bastão em prece (uma variação do Dandasana como vimos acima), faz-nos evitar mentiras&falsidades, viabilizando nosso ajustamento&alinhamento&assentamento à Verdade. O fogo serpentino queima impurezas e coze a pureza, despertando uma vida benigna, em sintonia com o Dharma. É o que deve interessar ao yogin: ter uma mente obediente aos comandos do coração, sob a liderança de Isvara.

Ananta, o infinito.

Ananta significa sem limites! Na mitologia vaishnava, trata-se de uma cobra incomensuravelmente gigante com várias cabeças, flutuando no oceano cósmico e sustentando, em seu dorso, Narayana. Portanto, é uma perspectiva que aponta para dois universos: abaixo, representado pela água; e acima, pelo ar. Esta simbologia é aplicada ao Anantasana. Vejam abaixo, uma imagem que ilustra a postura.[7]

Caixa de Texto: Esta postura não aparece nos textos originais de Hatha Yoga e se inspira na iconografia vaishnava.Imagem em preto e branco deitado ao lado de uma mulher

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Portanto, a postura remete à ideia de fusão&integração dos dois universos, pois a cobra está ligada tanto ao mar quanto à terra. É a possibilidade de unir&fundir o subjetivo&objetivo. Ananta está no pescoço de Shiva, oferecendo significado aos seus poderes sobre o tempo. Ananta também tem conexão com Patanjali, o organizador do Yoga. Shiva é patrono do Yoga; o yogin primevo. Diz a mitologia do Yoga que Patanjali nasceu de uma fagulha de fogo do infinito (Ananta), que foi despejado&depositada nas mãos de sua mãe. O Yoga nos confere a possibilidade&oportunidade de irmos para além do tempo, mergulhando no Infinito&Absoluto.

Não podemos nos esquecer que a mitologia torna verdadeira as lendas. O Infinito é a natureza do Eu que reside no nosso coração. Ele, o Infinito, não está no passado nem no futuro, mas eternamente no presente. Ou seja, o presente é infinito. É o ponto (Bindu) sem direções. Não há tempo; é zero. E esse momento dura por toda a nossa existência. Dura, na realidade, todas as eras da manifestação, pois o Absoluto é consciência eterna, inefável, sem segundo, não nascida.

O Eu do coração pode experimentar&experienciar o Infinito desse momento, praticando a Anantasana com esse objeto de meditação. Essa experimentação&experiência aponta para a inexistência da morte&nascimento, cujos eventos são ilusórios&relativos. Portanto, não há passado&futuro, mas apenas o eterno presente. Ou seja, a nossa existência&vida transcorre de forma infinita, nunca começando&terminando. Essa percepção&intuição é uma dádiva do Anatasana. Assente-o no coração, com esse significado&significação em mente, no seu espaço interno&subjetivo!

 

 

 

 

 

 

 



[1] Por Antônio José Botelho.

[2] Sínteses ajustadas&alinhadas&assentadas aos comentários do curso A Mitologia dos Asanas, promovido pela sancritforum.org, sob a inspiração de Carlos Eduardo Barbosa.

[3] Este é o título do livro que albergará, dentre outras compilações, esta síntese.

[4] Aqui, usei, adicionalmente aos comentários das preleções do professor Carlos Eduardo, a parte central do sétimo diagrama, à p. 352/353, do livro de B.K.S. Iyengar, intitulado Luz sobre os Yoga Sutras de Patanjali, publicado pela Mantra, em São Paulo, em 2021.

[5] É apenas aparente a contradição da serpente com o bastão, como poderá ser observado adiante, na medida em que nela, em Dandasana, podemos despertar a mais nobre das serpentes, a da nossa natureza espiritual.

[6] Aqui, não vamos apresentar uma imagem do Sarpasana já que o professor Carlos Eduardo o remete novamente para o bastão como fez para expressar a Kundalini. Portanto, cobra é diferente, tanto física quanto mitologicamente falando. Assim, é contrário ao entendimento à postura moderna, conforme pode ser vista em Iyengar no seu livro Luz sobre o Yoga, publicado pela Pensamento, em São Paulo, em 2016, às pgs. 408-410. No entanto, reconheço a legitimidade da plasticidade moderna, que Iyengar denomina de Bhujangasana II. A opção de convergir para uma imagem similar&próxima ao Dandasana, sugerida pelo professor Carlos Eduardo, está em sintonia com os textos mais antigos. Dandasana propriamente dito, estará presente em outro grupo de significados&significações.

[7] Pode ser vista em Iyengar (2016; p. 256), que traz a foto final da postura, de número 290. Obra citada na nota de roda pé acima.

28/12/2025

DESDE O ÚLTIMO DOMINGO DE 2025, EM PROL DO INFINITO!

 

Por que celebramos Cristo em prol do Brasil? Por Antônio José Botelho, em 28.12.2025.

Para começar é de bom alvitre registrar que o artigo dezenove da CF estabelece que o estado brasileiro é laico, ou seja, está estabelecida a neutralidade do Brasil em temática de fundo religioso. Todavia, o povo cristão segue associando proteção divina para o país via devoção católica&evangélica. Portanto, há uma sutiliza flagrante que promove separatividade&fracionamento do Todo, do Uno.

É verdade que o mestre da Palestina tem servido de apoio&proteção para a construção da civilização ocidental, se espraiando até por territórios orientais, dividindo espaço com outras espiritualidades. Desde priscas eras, passando pelas cruzadas medievais, realizadas em nome do liberalismo, até as atuais manifestações de vigílias de terços&orações&procissões, em decorrência de colonizações que visavam ocupar&povoar territórios alhures, a cruz crística é um emblema de devoção pátria&mátria. Objetivamente, Cristo foi capturado pelo capital!

É importante deixar registrado que nutro profundo respeito pelos ensinamentos cristianos, especialmente pela síntese dos seus mandamentos: amar ao próximo com o si mesmo e amar a Deus acima de todas as coisas; assim como Ele (nos) ama! Não obstante essa belíssima mensagem de fé&esperança, continuamos a não oferecer a outra face e, pior, a revidar na mesma moeda. Resultado, persistimos competindo&acumulando como deseja o capitalismo, ao invés de nutrir fraternidade&solidariedade entre os comuns. E vejam que o verbo principal da síntese cristiana aponta para o substantivo amor! Mas como?

Nesse diapasão, é importante vincular a fração republicana que orienta&dá valor à competição que é o artigo constitucional que estabelece a propriedade privada como âncora do mercado e, por conseguinte, da sociedade brasileira, isto é, o artigo quinto assegura&garante o direito à acumulação de bens móveis&imóveis, que nutre a competição capitalista. Em princípio, não sou contra o estado moderno nem contra esses dois atributos pétreos aqui argumentados&discutidos, considerando que o ser humano não tem estatura espiritual para dividir&distribuir. Jesus histórico tinha, e mais, é possível associá-lo como o primeiro grande socialista do planeta, pois multiplicava&distribuía. Na realidade, sua atitude&postura ia além, recomendando ao sujeito desejoso de salvação que ficasse livre de posses&bens. Não tenho dúvidas que Cristo está escravizado pelo capital! Entretanto, de novo e novamente: essa, ao que parece, é a solução incontornável&inescapável para a humanidade, para o atual momento histórico; porém, não constituindo, nem de longe, a última estação.

Desta forma, é possível argumentar que há uma grande hipocrisia&ironia, a qual é mantida mesmo de forma inconsciente pela maioria. A minoria que detém o poder econômico&político sim, sabe o que diz&faz, pois, a ideia é acumular riqueza para exercer a hegemonia e, por via de consequência, a dominação. Basta observar as correlações entre os mais ricos e os pobres&miseráveis do planeta. A internet está prenhe de dados&informações a respeito, mas as adotamos como sinais de evidências positivas dos negócios&mercados; tanto no mundo quanto no Brasil o fosso entre abundância&escassez é gigantesco. Negligenciamos a fome&saúde e a falta de educação&segurança da larga maioria dos seres humanos. E está tudo certo, na medida em que celebramos&comemoramos&comungamos os grandes mestres, como Cristo&Buda dentre outros sábios&santos, para convencer&conformar as injustiças&inconformidades. Para reverter essa disparidade&discrepância, urge que a humanidade observe&realize os mandamentos&ensinamentos de seus guias&gurus espirituais.

Buda, ao que parece, admitia como eternamente inalterável a realidade humana, reproduzida pela dor&sofrimento. Tanto que mostrou&demonstrou um caminho para a iluminação. Igualmente o hinduísmo, via Brahma&Vishnu&Shiva, apontando para a não-identificação frente aos objetos dos sentidos e superação dos desejos, para a liberação do devoto em vida. É claro que os pertinentes caminhos são mais amplos&profundos, sendo a intenção, aqui&agora, apenas sinalizar possibilidades de contatos&convergências entre ensinamentos trazidos do mundo invisível, de onde viemos e para onde voltaremos, para a criação&manifestação. Espiritualidades essas que, inclusive, definem o Absoluto com mitologias&cosmologias distintas&diferentes. Essa fracionalidade&separatividade, apenas aparente, é fruto da insensatez da razão humana, e expressa, em linguagem limitada, as disputas religiosas institucionalizadas. Com certeza, essas estruturas consubstanciam&lastreiam políticas&ideologias.

A espiritualidade é uma questão de foro íntimo. O Ser lançou várias cordas para subir&voltar até Ele, cabe ao devoto escolher uma com o coração pacificado, aquietada a mente, para retornar ao mundo invisível, quiçá, oxalá mergulhando no Infinito, ou seja, se identificando com o Absoluto, por toda eternidade, quando o Infinito interno&subjetivo se une&funde com o Infinito externo&objetivo. Neste escopo, batizado cristão, me decidi pelo Yoga como caminho espiritual, na fase adulta. Contudo, esta escolha&decisão não me autoriza a dizer que as transformações determinadas por Shiva são para o bem do Brasil, nem mesmo para a Índia, muito menos para toda a humanidade. Até porque o Absoluto apenas observa...

O fato é que o capitalismo, que alimenta a competição&acumulação&apropriação&destruição (da natureza) na humanidade, é predominante no planeta. No caso específico, que motivou a presente reflexão, o nome&forma de Jesus Cristo segue dando amparo&proteção ao discurso&prática que reproduz a pobreza&miséria, via política&ideologia. Muita coisa teria que mudar&transmutar&transformar. Dizem que as mudanças coletivas começam pelas individuais. Portanto, não há apenas uma resposta para a provocação inicial, que a intitulou, mas milhões, talvez bilhões, de possibilidades para esclarecimentos&entendimentos. Então, Feliz Natal e Próspero Ano Novo! De verdade! Para todas&todos os seres humanos, não só para os brasileiros! E, para celebrar esse momento, socializo uma imagem idealizada do mestre da Palestina meditando em postura ióguica&budista!

20/12/2025

SEM ANISTIA!

 

Anistia: como assim? Por Antônio José Botelho, em 19 de dezembro de 2025

É como o presidente Lula tem dito: o julgamento das tropas&trupes ainda nem foi plenamente finalizado e já foi aprovada nova dose de penalidade. E isso tudo em função de um único CPF, carreando os adeptos&asseclas. Inacreditável!

Em verdade, é sim acreditável, pois foi a grande herança política que essa vertente ideológica, de ultra&extrema direita, deixou para o país&nação. Ou seja, um parlamento cuja maioria é de direita, desde o centrão, que há tempos aprova a toque de caixa corporativista as leis pátrias&mátrias. Nesse desiderato, é gigantesco o saldo de fileiras evangélicas na Câmara, que pulou de uma para nove, segundo um de seus líderes atuais (o mesmo dos $400 mil lacrados e guardados em casa).

Essa conformação arraigada foi possível, inclusive, com a presença marcante de recursos financeiros distribuídos secretamente pelas emendas parlamentares, cujos desvios, aqui&acolá, têm vindo à tona mediante investigações policiais. Ao que parece, poucos parlamentares encheram os bolsos; enquanto milhões de brasileiras&brasileiros permanecem à míngua, com deficiência em infraestrutura econômica, com escassez de escolas&hospitais, e com segurança pública limitada. Portanto, segue o curso dos saques ao orçamento público. Esses assaltos têm sido efetivados desde priscas eras, desde os tempos coloniais até as várias repúblicas durante o século XX, passando pelo império, cujos configurações políticas tiveram várias bandeiras e fronteiras em construção.

É bom lembrar que foi exatamente essa modalidade de assaltar os cofres públicos – o inacreditável orçamento secreto − que manteve o então chefe do executivo, sentado na cadeira presidencial com a caneta nas mãos, fazendo motociatas pelo Brasil afora. Vale a pena relembrar as chacotas&zombarias da época da pandemia? Acredito que não, pois já está em descrédito&desacreditado (ainda que esteja depositando todas as fichas no zero 1)! Os barulhos que essa turma ultra-extremista fez e continua fazendo vem daí, das hostes&hordas parlamentares. Seus slogans são todos questionáveis: falam de Deus, mas será que Deus privilegia o capital em detrimento do trabalho; será que Ele aprova delírios&devaneios antidemocráticos? Falam de pátria, mas será que esse conceito é mais importante do que o de mátria, isto é, será que o país é mais importante do que a nação? Falam de família; mas será que as famílias não podem se transmutar&transformar? Finalmente, falam em liberdade; mas será que esse fundamento só vale e só interessa ao liberal&conservador, sem que seja necessário observar&respeitar os preceitos constitucionais?

Euzinho não tenho dúvidas que se a Dilminha tivesse lançado mão desse expediente, de distribuir dinheiro à rodo aos parlamentares, não teria sido impedida. Até porque os deslizes contábeis são incomensuravelmente menores do que as afrontas&arroubos contra a democracia&estadomoderno, que perduraram durante o mandato 2019-2022 (lembram-se do famoso dito napoleônico autoritário "o estado sou eu" verbalizado pelo cidadão no cercadinho? lembram-se, ainda, do cidadão se expondo na mídia cortando cabelo, como fazia fascista Mussolini? ambas as posturas tentando passar domínio da situação, o qual se mostrou frágil). Esse é o ponto: como abrandar&atenuar penas&penalidades de quem conspira contra, de quem trai o estado democrático de direito? Impensável!

Poderíamos fazer um rápido&pequeno paralelo com o tempo em que Lula ficou preso: 580 dias! Lembro da campanha LL, que os militantes mais próximos sustentaram nesse período (4.2028-11.2019). Dessa reclusão, emergiu o relacionamento com a atual primeira dama! Foi solto após as artimanhas&ardilosos dos procedimentos&protocolos judiciais levados à cabo no (devido) processo (legal) pertinente terem sido indagados&inqueridos no âmbito da legalidade (aqui&acolá o juiz-chefe de então recebe uma alfinetada da ordem jurídica). Tal investigação, no contexto do direito positivo, trouxe o ex-sindicalista novamente para o páreo eleitoral, sendo eleito pela terceira vez presidente do Brasil. E ele vai de vento em popa em busca do inédito quarto mandato. Todavia, o atual e mais famoso condenado&detento ainda nem esquentou a cela, e já dispõe de mitigação da pena, cuja possibilidade de efetiva aplicação ainda vai rolar nas instâncias da judicialização, após provável veto presidencial, a ser desaprovado (ou não) pelo congresso.

Dizem que Lula determinou a condenação dos elementos&indivíduos faltosos&criminosos atinentes&aderentes aos processos ex-ante&ex-post 8 de janeiro de 2023. Como pode? Impossível! A independência do judiciário pátrio&mátrio tem sido inquestionável, mesmo com as pressões do tio Sam. O escorregado na maionese, o pisado na bola que determinou o transitado em julgado representa um marco histórico para o judiciário brasileiro, quer esperneiem&estrebuchem ou não os ultra-extremistas da direita. O resultado prático foi o fortalecimento da democracia pátria&mátria, que segue firme&forte para a próxima eleição presidencial.

Podemos, ainda, ilustrar a aprovação de uma nova dosimetria no senado do ponto de vista das negociações no âmbito de um presidencialismo de coalisão. Se Lula avalizou a conduta do seu líder, cometeu gravíssimo equívoco. Inclusive, contradizendo seu discurso de que o estado democrático de direito é inegociável. Se o senador-líder, que conduziu as negociações, agiu por conta própria igualmente cometeu um grave erro, ainda que seja necessário&urgente cortar gorduras de isenções de impostos e taxar mais&melhor quem fatura horrores, para ampliar o orçamento público, para fins de investimentos em programas desenvolvimentistas&progressistas, que segue(m) engessado(s). Enfim, são as esquisitices&excentricidades de um regime político que exige maioria no congresso para governar com folga. Ou seja, um estado que não tem claro seus objetivos supremos para com a pátria e, especialmente, para com a nação.

Isto posto, por todas as frentes abordadas, a aprovação do PL em foco, que seguiu para ratificação presidencial (ou não), expressa uma porralouquice, considerando as facadas que foram dadas na democracia, no estado moderno; estado esse consubstanciado pela Carta Magna da República Federativa do Brasil. Ou seja, foi um ato muito pouco republicano, ainda que contando com os votos necessários de uma assembleia parlamentar, legal&legitimamente eleita.

Inclusive, resta recomendado que, mesmo com abrandamento da prisão, portanto, para além da condenação penal, todo sujeito que atentar&intentar contra o estado democrático de direito deveria perder os direitos políticos perpetuamente (condenação política), melhor ainda, para todo o sempre, isto é, até em outras encarnações o indivíduo deveria ser impedido de administrar a ordem pública e de conduzir o povo, pois perdeu, de feio e com feiura, a oportunidade concedida pela universo&Infinito para fazer mais&melhor.

Finalmente, fica aqui sugerido quatro modelitos estilosos, um para cada estação do ano, de uma indumentária presidiária pertinente a dois momentos históricos:





18/12/2025

PELA INVERSÃO DO MAPA MUNDI!

 

Em prol do sul global, por Antônio José Botelho, em 17.12.2025


A imagem acima, do mapa do planeta invertido, é bastante significativa em duas frentes de significações. Poderíamos explorar a temática das mudanças&emergência climáticas, apontando para as ameaças&agruras pelas quais passam os países com temperaturas extremas em curto-circuito e tempestades&temporais, na forma de ciclones&tornados&furações, temperadas&turbinadas com queimadas&inundações, que destroem infraestruturas e causam mortes de seres humanos e de animais&plantas, deteriorando as condições das sociedades&economias. No entanto, vou preferir tocar uma janela de oportunidade, exatamente porque poderá salvaguardar a sobrevivência das nações e o equilíbrio da natureza. Na realidade, essas visões se entrelaçam

É claro que penso na perspectiva de se ampliar a dimensão multipolar do poder político e econômico
 dos países para muito além de uma geometria unipolar, determinada pela nação mais poderosa do planeta. Isso foi/é possível, exclusivamente, por ela possuir, frente aos demais países, mais tecnologia e capacidades destrutivas de ataque&defesa, cujo conjunto define um estilo de vida, um modo de pensar e agir no mercado; uma cultura, enfim. Aquém das formas políticas necessariamente ditas, como por exemplo a socialista, estamos abordando a questão dentro do próprio capitalismo, que predomina e que é, até o atual momento histórico, mais compatível com a evolução espiritual do homem na terra

O alinhamento e o ajustamento do capitalismo estão em processo de mudanças&transformações com a introdução do conceito&instituto do desenvolvimento sustentável, quer queiram ou não os liberais&conservadores. Os progressistas conduzem como podem; e os demais conduzirão quando o ponto de não retorno dos ecossistemas ambientais&ecológicos passarem a ser visíveis. É ou seria recomendável que essa postura de prudência&sensatez fosse para antes de ontem, tendo sido o ontem de programações e o hoje de implementações. No entanto, resistência&negacionismo ainda estão presentes nas decisões políticas&econômicas

Assim, fica claro, claríssima a importância da inversão do poder no planeta, dividindo responsabilidades&compromissos de todas as sociedades, visando a manutenção da vida humana na terra. É sabido que a independência tardia das colônias, na forma de países “independentes” foi guiada por interesses econômicos, sob a batuta da ordem política. Desta forma, a hegemonia passou a ser controlada via domínio de mercados com a imposição de tecnologias, que explodem a acumulação de lucros mediante a reprodução constante do consumo. Inclusive, hoje em dia firmas globais, com poderosos recursos econômicos&financeiros e de informática, possuem o mesmo poder dos estados nacionais, talvez mesmo até maior poder de influência

Nesse contexto, com mudanças, por exemplo, do padrão-ouro para o padrão-dólar, nas transações internacionais de comércio exterior, só avantajava a hegemonia e o domínio unipolar da nação mais poderosa do planeta. Todavia, esse status quo está no começo do fim. E é para esta nova trajetória de organização da geopolítica que a imagem em destaque aponta. Ou seja, mais países poderosos e influentes estarão cada vez mais atuando em benefício de uma ordem multipolar. Infelizmente, com o concurso de corrida armamentista, pois essa é a linguagem que a humanidade entende&teme. Por óbvio, lançando mão de mecanismos e ferramentas de gestão das nacionalidades independentes dos condicionamentos de domínio criados no pós-guerra e, sobretudo, ratificados e ampliados após a guerra fria. No entanto, naturalmente com a intercorrência do desenvolvimento sustentável pautada na sua ética intrínseca.

Com os mercados acionando novas formas de pagamento das importações&exportações, considerando os negócios internos, estruturadas no desenvolvimento&ética sustentável, a inversão do poder global poderá favorecer&viabilizar o sul global. A expectativa&esperança é que, nesse jogo de poder, as mesmas artimanhas&carapuças políticas de caráter unipolar não sejam (re)aplicadas&mantidas. Oxalá, quiçá o estado democrático de direito seja aprimorado em todos os cantos e nas quatro&oito direções do planeta, viabilizando&promovendo saúde, segurança, educação e prosperidade para todas&todos os seres humanos. As sociedades&natureza agradecerão!

Fomos acostumados a olhar para o hemisfério norte como sinônimo de desenvolvimento; e para o sul como espaço de subdesenvolvimento. Agora, esse cenário pode mudar com a inversão de valores, isto é, podemos entender o hemisfério sul como representando a verdadeira civilidade humana, pois poderá passar a dar exemplos, com a prática, de uma existência no planeta sustentado&autossustentável por uma rede ética de cooperação&confiança multipolar. É difícil, mas não impossível. E o verbo vem na frente como ideia&ideal&ideário fundamental! Neste diapasão, o planeta todo será coroado com o desenvolvimento sustentável, com inclusão social até a exaustão, com plena distribuição de renda, com a superação das desigualdades sociais, via igualdades de oportunidades, e com renovadas&recorrentes mitigações ambientais, estabelecidos a produção&distribuição&consumo limpos&inteligentes.

Porém, essa simbiose sinérgica entre norte&sul não poderá ser às custas das soberanias nacionais. Exemplo lapidar é a reedição da doutrina Monroe pelo atual chefe norte americano, que trata as repúblicas americanas como subordinadas aos tio Sam; vale dizer, as trata como se fossem quintais estadunidenses. A peia militar à Venezuela é surreal, ainda que possamos ter restrições às opções ditatoriais de chefe bolivariano. Neste sentido, a resistência histórica cubana é heroica, apesar dos desatinos democráticos, isto é, a família Castro já deveria ter “dado no pé”. Tampouco, outros chefes nacionais de alhures devem resolver questões de fronteira pelo conflito armado. Lembremos sempre que a democracia, ainda que imperfeita, é a melhor solução política, por hora. Que haja paz!

Isto posto, com o ajustamento&alinhamento do capitalismo à multilateralidade e à ética sustentável, haverá um assentamento da paz&bem na terra! Especialmente, se cada um nós conseguirmos a necessária transformação espiritual, onde a competição&acumulação cedam lugar para a fraternidade&solidariedade. É uma utopia, dentre outras; contudo, são elas que nos movem! Idealmente, que as intenções&atitudes sejam corretas&justas! Não há tempo a perder! A luta não pode ser individual, mas deve ser coletiva em prol da dignidade&elevação de todas&todos!

13/12/2025

Viva a democracia brasileira!

 

Fica ministro! Por Antônio José Botelho, em 12 de dezembro de 2025

O paladino da democracia tem determinado duros golpes à extrema direita pátria. Com coragem e competência agiu com correção dentro do campo penal, ainda que se possa questionar o método e a metodologia jurídica. É que, no direito positivo, a interpretação e aplicação das leis é parte da autonomia e soberania dos juízes. E isso aconteceu mesmo com o tio Sam urrando. Tal rugido se transformou num miado, sem maiores prejuízos, apesar das perdas econômicas decorrentes de medidas protecionistas, determinadas por ações politiqueiras contra o próprio país, articuladas por um sujeito que, em tese, seria o candidato da direita em 2026. No bojo, restrições financeiras e econômicas às autoridades.

A tentativa de livrar a sentença e pertinente cumprimento da pena, agora imposta progenitor do político faltoso, em trânsito julgado, se mostrou desastrosa e profundamente humilhante para esse grupo de radicais. Esse grupo político ao invés de ter governado, segundo seus ditames liberais e conservadores, buscou o pior, um regime de exceção. Perdeu playboy!

Tentaram bagunçar o coreto deste a pandemia, sequenciado nas eleições. Porém, a turma de juízes, tanto no quesito democrático quanto na perspectiva de cobrir o vácuo da inércia administrativa, agiu em prol da mantença constitucional e executiva. As eleições aconteceram e medidas regulatórias e executórias foram levadas a termo.

Pode-se até admitir determinado ativismo político. Todavia, uma reação é possível e necessária quando uma ação ou inação vem para prejudicar o tecido social como um todo. Chamaram de todos os adjetivos possíveis, incluindo ditador de toga e ditadura do judiciário, além de imputar o já tradicional fora, Moraes. Na realidade, foram incapazes e insensíveis de reconhecer o valor da democracia em curso, sob o albergue do estado moderno.

Sabemos que existem falhas, que pontos e processos devem ser aprimorados, especialmente o nível dos parlamentares. Contudo, essa costura fica mais visível num estado de coisas legais e legítimas, verdadeiramente dentro das quatro linhas, com o leme do conhecimento guiando as decisões. E não de forma estabanada e atabalhoada, estabelecendo um “faz de conta” institucional em benefício de uma ideologia extremista, preconceituosa, etecetera, especialmente negacionista, frente às ameaças e emergência climáticas.

É visível o desequilíbrio do grupo, cujos principais integrantes agora brigam por uma, duas ou mesmo três indicações para a candidatura que as represente. Essas escolhas recairão entre políticos de um espectro que vai do centro até a extrema direita, passando pela própria direita. Portanto, devem se fracionar para se unirem lá na frente, caso haja segundo termo. Mas vão pegar um candidato progressista forte, que segue acumulando vantagens, especialmente sob o slogan efeito Lula: empregos em alta, fome zero, inflação sob controle, produto positivo, ainda que com uma taxa básica de juros da economia estratosférica que, ao fim e ao cabo, protege os rentistas, via dívida pública.

Extremamente hábil em negociações, que é a praia do presidente, Lula arrefeceu o ímpeto do tio Sam, alimentado por notícias falsas e mentirosas acerca de democracia brasileira, que segue firme em processo de aperfeiçoamento. Os conflitos com o congresso, de perfil de direita, soam de forma desarmoniosa para a sociedade, pois cada qual quer assegurar seu naco de eleitores, mantendo espaços de visibilidade. Mas até nos pontos cruciais, a turma de juízes tem mantido os ditames constitucionais. Os parlamentares fora dos quadrantes regimentais, ou mesmo fora da lei, devem continuar perdendo seus mandatos, e até mesmo serem condenados e presos.

Nesse vale tudo, o uso do estado de saúde do genitor deve ser usado como arma para novas agressões e sobrevida política. E pasmem, vídeos robotizados, enviados mecanicamente de forma intensa, já estão comovendo, na grande rede, senhorzinhos e senhorinhas saudosas. A ideia é insuflar a bolha extremistas, que, todavia, já está furada e murchando. Entretanto, tudo deve estar sendo providenciado com respeito à dignidade e às necessidades médicas do inonimável-inelegível, porém, sem refresco; como aliás deve ser com todo detento-presidiário. Refresco quem volta a desfrutar é o paladino da democracia, que retorna à regularidade financeira e econômica global da modernidade, nas bandas de cá, ainda comandada pelo tio Sam.

Na qualidade de um ex-quase anarquista não deveria aplaudir a democracia burguesa, eivada de vícios e desvios. Apesar de oportunizar a alternância de poder, os políticos eleitos pecam por não respeitar compromissos assumidos, e, dentre outros viéses negativos, por macular, às vezes indiscriminadamente, o orçamento público - vejam vocês, ainda há resquícios da prática do orçamento secreto, iniciado no governo passado de extrema direita. Contudo, mesmo ainda privilegiando a maioria em detrimento das minorias, quando os governos se posicionam nos extremos, devemos respeitar e fazer reverência ao estado moderno, que sucedeu o aristocrático. Ou seja, o instituto estado ainda é necessário! O importante é que esta sucessão está pautada na democracia republicana, e não em sequências hereditárias monárquicas; até o momento o melhor instrumento de orgazanização social já elaborado pelo homem, que, combinada com o desenvolvimento sustentável, representa a melhor opção para a humanidade e para a natureza. Pisou na bola, troca de comando! Então, viva a democracia brasileira! Viva a democracia! Viva!

09/12/2025

Uma homenagem ao João Bosco Botelho, 77, em 9 de setembro de 2025.

 

Obrigado meu irmão, por tudo!

João partiu esta madrugada, no Rio de Janeiro, ao lado de sua esposa e filhas. Depois de uma existência de muitas vitórias, chegou o momento de retornar. Está dolorido, mas temos que voltar! Aqui, aprendemos e nos curamos, a fim de viver a eternidade, agora, livre de limitações!

Devo muito a ele! Ele foi como um pai para mim, na adolescência. Quando morávamos em Niterói ele cuidou d’euzinho aplicando vacinas contra alergias e orquestrando um equilíbrio para fortalecer o corpo e enfrentar a asma. Como adulto recebi apoio dele no casamento e no acesso à Suframa. Procurei e procuro honrar essa ajuda, tanto no matrimônio quanto profissionalmente, e mesmo em outros temas e temáticas de espaços e tempos, atuando e me comportando sempre de forma crítica, com liberdade e independência, portanto, seguindo a minha natureza. A Bhagavadgita, bíblia hindu, ensina que melhor cumprir mal a nossa missão do que bem a de outrem.

Recentemente, em Manaus, esteve ao meu lado quando fiz a revascularização do coração. Igualmente me acompanhou quando ano passado fiz a cirurgia de remoção dos pólipos. Sempre orientando o melhor segundo seu conhecimento e experiência. Aqui é notório que realizou uma trajetória profissional fora da curva, para muito cima da média, tanto como médico quanto como professor. Essa performance talvez tenha sido sua maior contribuição para a minha existência, como referência na busca contínua do conhecimento. Sua coleção de títulações e condecorações, acadêmicas e científicas, atestam esta percepção.

Casou-se com a Dayse e teve três filhas: Renata, Flávia e Raquel, que lhe deram netos e netas. A eles todos deixo aqui meus sinceros sentimentos, desejando que permaneçam em paz, para que ele passe em paz para a dimensão que o Absoluto lhe dedicar, visando continuar cumprindo sua evolução espiritual. Neste quesito, sou egoísta, pois desejo que ele se una à Brahman, como Atman que somos! Tal qual como desejei o mesmo para o Botelhão (2005) e a Elizoca (2013), nossos pais. A família Lopes Botelho, assim, perde mais um membro, meu irmão João. Euzinho, Sebastião, Maria da Glória e Maria da Conceição continuamos aqui, aprendendo e nos curando.

Euzinho, a Quinhazinha, minha esposa Ana Cristina, a Carolina e a Catharina, minhas filhas, estamos tristes e chorosos, pois a presença dele junto a família Ribeiro Botelho sempre foi de muito carinho e atenção. Ele salvou muitas vidas e formou muitos profissionais que, sem dúvida, reconhecem o valor dele como homem e como profissional. Portanto, tem muitos méritos, deixando um legado robusto!

Meu irmão, vá em Paz e na Luz! Obrigado por tudo!

SempreLuz! Antônio José Botelho, 66.