domingo, 16 de abril de 2017

NOVA ROTINA, NOVA DISCIPLINA, NOVOS PROJETOS: uma nova inflexão existencial

Muitos já foram os ritos de passagem; mais um se apresenta, com a aposentadoria voluntária concedida via publicação no DOU, de 4.4.2017, da Portaria nº 99, de abril de 2017, de responsabilidade da diretora de capital humano da Suframa. Com ela, intento iniciar novas atividades sustentadas pela prática de Yoga, desenvolvendo projetos coletivos voluntários e em grupos e solos remunerados, e participando do corpo docente de uma Faculdade nos cursos de administração e/ou engenharias.
A carreira de técnico do governo Federal realizada pode ser considerada satisfatória, seguramente acima da média, com boas e relevantes contribuições, tanto para a instituição Suframa, quanto frente ao Projeto ZFM, em especial com a participação na implantação de um Sistema de Planejamento no chão institucional e com a elaboração de uma ideologia vertida para o autodesenvolvimento do chão amazônico.
No nível estratégico, lançamos sementes para a criação, para a emergência de firmas locais com conteúdo tecnológico vertido as amazonidades, cujos frutos tardam a prosperar, especialmente frente a perda de poder político da Suframa, incluso o vazio no poder financeiro de execução de ações convergentes. A ideia era - e é - rivalizar com a lógica inerente da atração de investimentos, no sentido de complementar a função do desenvolvimento sustentável.
No nível do autodesenvolvimento, criamos conceitos, à revelia da aristocracia de especialistas globais, qual growing up para fazer frente ao determinismo econômico que a fronteira tecnológica e o sistema global de inovação estabelecem numa dimensão planetária. A ideia era - e é - contribuir para a construção de um capitalismo amazônico, selando e montando o cavalo alado do desenvolvimento sustentável, numa trajetória tecnológica associada às amazonidades. Nesse sentido, do de caminhar com as próprias pernas, precisamos, ainda, criar as condições objetivas favoráveis para enfrentar as exigências globais desde uma perspectiva das necessidades locais no contexto do sistema capitalista. De uma forma geral, os apontamentos da economia política foram lançados para debaixo do tapete da histórica com a indução dos estados nacionais tardios, quando a hegemonia dos países ditos desenvolvidos transitou da posse do território para o domínio tecnológico e cultural.
Ao fim e ao cabo da atuação profissional na Suframa, a Portaria nº 559, de 22.12.2016, da lavra da Superintendente, que homologou a classificação e a pontuação individual dos servidores para o recebimento da Gratificação de Qualificação no período de janeiro a junho de 2017, posicionou o servidor Antônio José Lopes Botelho em quarto lugar na referida concorrência, entre 160 participantes. Destaque-se que os três primeiros colocados têm o título de doutor. Essa gratificação foi incorporada aos proventos da aposentadoria.
Ao longo de 33 anos de atividade na Suframa - mais 5 antes dela - foram publicados sete títulos apontando para um desenvolvimento minimamente autônomo e interdependente, destacando-se o Redesenhando o Projeto ZFM, o Sínteses & reflexões em prol das amazonidades como ideário de desenvolvimento e o Pequeno Ensaio em prol da Construção de um Capitalismo Amazônico a partir de Manaus. Portanto, representando uma contribuição ativa e contributiva, sobretudo, livre e independente.
Ao longo desse período, procurei, por conta própria, avançar e ir além das graduações em engenharia civil e administração, finalizando um mestrado profissional e três especializações. As áreas pós-graduações foram a engenharia de produção, a ciência política, projetos industrias e a avaliação de impactos ambientais, além de uma série de cursos sobre políticas e estratégias de governo. Foram, seguramente, mais de 6 mil horas de estudo formais. Informais; incontáveis foram as horas de leitura, estudo e aprendizado.
Já o aprendizado do Yoga, lastreado pelo Vedanta e agora buscando o apoio do Ayurveda, começou no final de 2005, isto é, quase 12 anos atrás. No meio desse caminho, finalizou Curso de Formação em Yoga, sob a responsabilidade de Pedro Kupfer. E segue realizando estudos de Vedanta, lendo os livros de Carlos Alberto Tinoco, ouvindo os CD’s de Glória Arieira e participando de encontros com Pedro Kupfer. No contexto do auto-estudo, mesmo fora da tradição, portanto, com caráter neófito, publicou pelo www.clubedeautores.com.br dois títulos: Sínteses ilustradas de nove das principais Upanishads: uma abordagem do que elas ensinam sobre os fundamentos vedânticos, e Sínteses de oito Upanishads: uma visão do que elas ensinam sobre o Yoga. Recentemente, realizou panchakarma sob a orientação do Dr. Ruguê, Swami Narayana, quando espera aprofundar o estilo de vida que o Yoga proporciona, sob a orientação de uma dieta adequada e apropriada.
Após iniciar prática de Yoga sob a instrução da professora Iza (2005/2006) e do professor Aristides (2006-2008), segue praticando diariamente, sozinho, porém, nunca solitário. Como instrutor desenvolveu: i) experiência de 16 meses com internos masculinos e femininos da Fazenda Esperança/Manaus em 2010/2011; ii) experiência de 20 meses com servidores da Suframa em 2011/2012 e 2015/2016; iii) experiência de 12 meses com condôminos do Residencial Mundi em 2015/2016; iv) experiência de 4 meses com amigos e convidados no Parque Municipal do Mindu em 2015; e, v) experiência de 4 meses com profissionais do Escritório Jurídico Andrade GC em 2015/2016. Novos projetos voluntários estão em curso: i) novas experiências no Residencial Mundi (8 meses); ii) na Suframa (3 meses); e, iii) no Manaus Country Club (2 meses). Projetos remunerados também já estão em curso, no momento com um aluno particular (fev/2017), com práticas realizadas na casa do praticante. Quem sabe não seja possível abrir um espaço dedicado à prática do Yoga num futuro próximo?

Além da atuação como técnico, serviu à Suframa como diretor e assessor, em diversas oportunidades, cujas experiências contabilizaram positivamente para a titulação de qualificação. Agora, como instrutor de Yoga, como dito e sugerido acima, pretende retribuir à sociedade tudo o que recebeu em nível de benefícios desse Conhecimento e estilo de vida milenar. Em paralelo, pretende, ainda, voltar ao chão da sala de aula como professor universitário, para continuar aprendendo com a atividade de ensinar, campo de atuação onde já conta com uma experiência acumulada de 9 anos, sendo dois na Ufam (1991/1992) e sete no Cesf (2001/2007), quando teve a oportunidade de contribuir para a consolidação da disciplina Política Industrial e Inovação Tecnológica. Assim, negociações e tratativas para o estabelecimento de uma nova rotina, uma nova disciplina e novos projetos estão em curso e deverão confirmar uma nova inflexão existencial. Que isso seja possível, sobretudo, que possa trazer benefícios para os seres que tomarem contato com ela! A intenção continua sendo a busca do autoconhecimento!

sábado, 19 de novembro de 2016

DE UM DESAFIO HISTÓRICO

Da criação de firmas[1]

Contexto introdutório

A ideia é contraditar de forma complementar a perspectiva da atração de investimentos. Nessa dimensão, entende-se que o desenvolvimento se dá de forma equilibrada com essas duas funções, a consubstanciar a indústria de transformação: atração + criação; criação + atração, consolidando as estruturas industriais. O foco, portanto, é o processo de industrialização de Manaus, extensivo a todo local do chão amazônico.
O PIM tem cerca de 600 (seiscentas) empresas incentivadas, cujo produto é maior do que muitos PIB de pequenos países. Em geral, é reconhecido pelas marcas internacionais que se estabelecem por forças das vantagens comparativas, aqui entendidas vantagens competitivas estáticas, oferecidas pelo Projeto ZFM. Trata-se de um mecanismo já bem fortalecido que opera a quase 50 (cinquenta) anos e com sobrevida até 2074, quando chegará ao final do seu atual prazo de vigência constitucional.
Apesar dessa potência industrial, Manaus não foi capaz de criar firmas que pudessem competir e concorrer em nível de faturamento e geração de trabalho e de renda, para reduzir a dependência do seu processo de industrialização ao capital e tecnologia atraída. Muitos podem ter sido os motivos, que podem estar explícitos ou implícitos na forma política com que seu capital social teve ou não teve competência estratégica de reconfigurar a natureza do produto gerado pelo PIM, em particular frente à pujança e independência de suas marcas tecnológicas e liderança empresarial.
Não importa a desculpa ou a justificativa. Importa mais observar e testemunhar que Manaus deixa de adotar a ZFM, na vertente industrial, como plataforma de criação de uma estrutura empresarial local, com estratégia própria, atuando de forma global.
Então, o objetivo desta reflexão − Da criação de firmas − é rivalizar em termos de políticas públicas com o marco regulatório da ZFM, visando construir um segundo pilar, um segundo vetor que complemente o processo de industrialização manauara. E, para tanto, é necessário destacar a dimensão patrimonial em duas grandes ambiências: a endógena e a exógena, pois diferentes são os mecanismos e ferramentas de política industrial e tecnológica que se deve implantar para consolidar firmas, tanto atraídas, quanto especialmente criadas.

Do tratamento endógeno

A despeito da ausência de cultura capitalista tupiniquim, ainda que haja muitos investimentos com tecnologia universal acontecendo, e mesmo de ponta como os que decorrem do laboratório de TI da Ufam, que adote a busca do progresso técnico como evolução de sua plataforma industrial, mecanismos e ferramentas de política industrial e tecnológica podem e devem ser desenhados, implantadas, avaliadas, reformuladas e mantidas de tal sorte que Manaus consolide e potencialize o processo de industrialização que a ZFM oferece. A tática e o segredo para o desenho da estratégia é perceber e entender que o progresso técnico, via indústria de transformação, parte do equilíbrio entre oferta e demanda tecnológica. No equilíbrio, estão postas as condições favoráveis para a configuração de uma ambiência onde impere o empreendedorismo, a inovação e o crédito. Esses três vetores, claro, promovidos e incentivados perenemente, enquanto perdurar a lógica capitalista da acumulação de lucros e apropriação de conhecimento.
O primeiro pincel para o desenho de uma política industrial e tecnológica de longo prazo é levantar e manter um amplo diagnóstico das firmas com capital e tecnologia local em todos os setores possíveis da economia, especialmente ativos os setores que convirjam para a bioeconomia, notadamente a biotecnologia. Esse diagnóstico seria tanto quantitativo quanto qualitativo. Ou seja, além do número, o levantamento registraria competências e habilidades, carências e necessidades de cada seguimento em termos industriais e tecnológicos. Esse levantamento não seria trivial, mas certamente fundamental para ao todo o resto.
O segundo pincel é caracterizar cada setor frente à oferta tecnológica disponível e à demanda diagnosticada. Em geral, acredita-se que, pela inexistência de tradição industrial, combinada com a sina histórica da atração de investimentos, e considerando os laboratórios e centros de P+D existentes, deverá prevalecer na maioria dos setores maior oferta do que demanda tecnológica. Mas não será difícil identificar algum setor que, embora estabelecido, esteja travado em termos de melhorias e inovações, incrementais e transformadoras.
A oferta tecnológica maior do que a demanda correlata pode estar moldada pelas dezenas, dezenas de centenas, talvez milhares de dissertações e teses, de investigações lavadas a termo por grupos de pesquisa dos laboratórios e centros de P+D locais cujo destino final não é o mercado, mas as prateleiras das bibliotecas das faculdades e institutos de tecnologia. Já o inverso pode ser sinal da própria falta de empreendedorismo inovador, que impulsione e potencialize produtos e mercados dinâmicos. Admite-se que muitas idealizações tenham até mesmo sido testadas em laboratórios, desde seus protótipos. É essa deficiência, de transformar conhecimento em negócios, que deve ser superada como base fundamental do processo de criação de firmas. Esse processo não é de curto ou médio prazo. Nem mesmo de longo prazo. Mas sim de longuíssimo prazo, que se estabelecerá secularmente enquanto cultura em decorrência de uma política de Estado, instituto que alberga o capital, em sinergia com a adaptação do DNA social do chão amazônico ao risco associado ao progresso técnico aplicável à indústria de transformação.
O terceiro pincel seria o dimensionamento de um conjunto de planos de negócios que oportunizassem a retirada das dissertações, teses e investigações das prateleiras, visando a lançar produtos com base em insumos e saberes da floresta – aqui entendidos como amazonidades – no mercado. Esse processo seria continuadamente mantido e alavancado e avaliado até que se tornasse culturalmente forte e predominante, como dito acima. Crédito disponível permeando todos os locais do chão amazônico seria a fonte permanente para seus lançamentos no mercado, nutridos de forma também permanente pela busca de melhorias e inovações incrementais. Poder-se-ia idealizar um programa robusto de geração de start up’s!
Já o quarto pincel constituiria na aplicação de mecanismos e ferramentas práticas, no sentido temporal, isto é, temporários e renováveis, como a adoção do poder de compra combinado com a proteção de mercado com barreiras fiscais estabelecidas pelo Estado. Outros mecanismos e outras ferramentas deverão ser aplicadas conforme necessidade e carência especificas de cada setor da economia, onde se incluem os incentivos fiscais. Mas deverá haver uma dinâmica industrial e tecnológica permanente que sobreviva às cores partidárias dos vários governos que se sucedem, vertida e convergente com o desafio histórico de se construir uma cultura empresarial com cunho e estratégia própria. Verdadeiramente um capitalismo amazônico![2]

Do tratamento exógeno

Aqui as condições objetivas, industrial e tecnologicamente falando, se invertem completamente. É importante, nesse sentido, o capital social de Manaus ter consciência de que a simetria e conformidade entre o chão de fábrica, associado aos pacotes tecnológicos atraídos com os investimentos produtivos, tem muito pouco ou mesmo nenhuma conexão e integração com os laboratórios e centros de pesquisa locais. Essa limitação constitui um grande obstáculo à agregação de valor via melhorias e inovações de processo e, especialmente, de produto. Constitui, portanto, uma demanda tecnológica elevada frente à frágil oferta tecnológica.
Também aqui pouco importa as justificativas atribuídas à essa limitação, todavia, fundamentalmente computada à natureza intrínseca e contradições internas do Projeto ZFM, notadamente quanto à exigência essencial para o gozo dos incentivos fiscais ­ vantagens competitivas estáticas ­, que é o cumprimento do PPB. Ou seja, o simples ajustamento do projeto industrial e tecnológico às condições mínimas de fabricação permite a operação de plantas industriais ao longo do tempo que conferem saltos e inovações incrementais e transformadoras sem que haja qualquer esforço local de P+D. Exemplos: passagem tecnológica da TV em preto & branco para colorida; substituição do tubo catódico para a tecnologia de plasma e correlatas; incorporação das transformações tecnológicas em aparelhos de telefonia móvel; etc. etc.
Entende-se que essa condicionalidade dependente pode ser alterada com uma postura arrojada do empresariado local junto com a elite governamental via políticas públicas convergentes à busca do desenvolvimento industrial e tecnológico autossustentado. A ideia é passar a sugerir, oferecer, ou mesmo exigir minimamente numa proporção de 1:3, que na aprovação de projetos industriais, parcerias estratégicas sejam formadas em termos de joint-ventures. Em paralelo, que haja um plano ousado de compra e aquisição, fusões e/ou incorporações de plantas industriais por parte do empresariado local com financiamento oficial em formatação adaptada ao processo de melhorias e inovação. Sem descuidar das possibilidades da criação de um programa de promoção de spin off’s que seja desafiador e multiplicador!
Nesse amplo programa de consolidação da estrutura estratégica da dimensão patrimonial local-nacional, e mesmo estrangeira, junto à tendência tecnológica high tech, deve-se explorar as técnicas utilizadas por economias que se aproximaram da fronteira tecnológica via processos de atração de investimentos combinada com a transferência de tecnologia que são: a engenharia reversa e a engenharia reversa ampliada. Em paralelo, claro, um robusto programa de formação de capital humano técnico e especializado nas engenharias e disciplinas afins, que consubstanciariam o capital intelectual das firmas privadas, organizações públicas e laboratórios e centros de pesquisa em prol da condição autossustentada junto ao desafio de construção de um capitalismo amazônico lastreado por amazonidades, bem como da consolidação, de forma enraizada, das firmas atraídas e incentivadas.

De linhas de ações

A Suframa, responsável pela administração do Projeto ZFM, tem idealizado estratégias e táticas que visam a não só a atração e consolidação de investimentos, mas inclusive a criação de negócios locais ­ e mesmo regionais. Sob a batuta da égide sustentável, adicionou à sua missão o apoio necessário à educação, à ciência, à tecnologia e à inovação, de tal sorte a tornar a economia de Manaus e do chão amazônico competitiva. Não obstante, ao não distinguir claramente, ainda que esteja colocado subliminarmente, mecanismos e ferramentas de políticas industrial e tecnológica que visam alvos distintos sob a ótica da dimensão patrimonial, peca, ao nosso ver, por não destacar e sublinhar necessidades e carências diferenciadas desde a perspectiva da oferta e da demanda tecnológica.
Essa postura, contudo, implicaria em enfrentar com clareza e visibilidade o desafio histórico de consolidar o processo de industrialização de Manaus e arredores, forjando uma estrutura empresarial com estratégia própria. Admite-se que esse entendimento seja politicamente incorreto e inadequado, até porque o discurso e, sobretudo, a prática são construídos sob a estreita vigilância de interesses explícitos pela manutenção do status quo. Vale dizer, pela irredutibilidade da permanência perene das vantagens comparativas ou competitivas estáticas a beneficiar e a priorizar a lógica da atração de investimentos. Por pressuposto, a conquista de uma ambiência que libere e nutra vantagens competitivas dinâmicas aponta para a adoção de incentivos fiscais de forma temporária e localizada.
Ainda assim, poderíamos realçar algumas linhas de ações que convergem para a construção de um capitalismo amazônico contidas nas linhas estratégicas tecnologia e inovação, capital intelectual e empreendedorismo e desenvolvimento produtivo, admitindo o diagnóstico de competências e habilidades, carências e necessidades de cada setor nas mãos do capital social de Manaus:
        1.       Apoio à realização sistemática de plataformas tecnológicas;
Essa tática é considerada de extrema importância para a busca do equilíbrio entre oferta e demanda tecnológica. E teria aplicabilidade tanto para a comunidade endógena quanto para a exógena. Trata-se de um mecanismo que visa o desenho de projetos de P+D assinados, chancelados e financiados pela tríade governo-academia-indústria;
        2.       Incentivo ao empreendedorismo científico-tecnológico;
Não se tem como construir um capitalismo amazônico sem a promoção contínua e especializada do empreendedorismo.
        3.       Articulação para a integração entre a academia e empresa, visando a inovação via criação ou aprimoramento de produtos e processos;
Tática aplicável tanto para a alavancagem de start up’s quanto de spin off’s, sem falar nas possibilidades para implementar melhorias e inovações no chão de fábrica incentivado, empresas incubadas e firmais locais.
        4.       Apoio à manutenção e ampliação dos sistemas local e regional de incubadoras;
Seria fundamental agregar à essa tática, novos conceitos como aceleração de negócios.
        5.       Incentivo e estímulo às empresas de base tecnológica;
Há uma conexão lógica entre o empreendedorismo inovador, aceleração de negócios e incubação de empresas com essa tática no sentido de suas emancipações no mercado;
        6.       Estímulo ou apoio à oferta de cursos de empreendedorismo a partir de instituições de ensino ou em parceria com outras entidades públicas ou privadas;
A ideia é oportunizar a todo graduando a elaboração de um plano de negócios para viabilizar economicamente um produto desenvolvido nos laboratórios e centros de pesquisa locais.
        7.       Apoio à oferta de suporte técnico para a geração de planos de negócios e disseminação de práticas de gestão e de capacitação de recursos humanos;
Essa tática se associa com todas as linhas de ações vertidas ao empreendedorismo. Idealmente, toda graduação deveria exigir um Plano de Negócios, além de uma Monografia, para colocação de grau.
        8.       Apoio a disseminação de redes de conhecimento e aprendizado;
Um dos pressupostos básicos de consolidação de um sistema local de inovação é a sinergia positiva entre confiança, cooperação e aprendizado dos agentes econômicos.
        9.       Apoio a iniciativas que visem o desenvolvimento sustentável para o aproveitamento de potencialidades regionais e oportunidades de negócios ­ na forma de amazonidades ­, inclusive ALC’s, Distrito Agropecuário da Suframa e Arranjos Produtivos Locais;
Essa tática visa incrementar, no sentido de tornar real, o marco regulatório de incentivo à industrialização no chão amazônico da década de setenta do século passado, que foi recentemente reformado complementarmente num outro regramento aplicável tão somente às ALC’s. Converge positivamente para a ação emergencial denominada “Potencializar o processo de industrialização das ALC’s com base em insumos regionais na lógica do desenvolvimento sustentável”. 
        10.   Articulação com os setores público e privado para a captação de recursos financeiros para o setor produtivo da área de jurisdição da Suframa;
Essa tática tem convergência com o vetor crédito da trilogia virtuosa do capitalismo, junto com o empreendedorismo e a inovação. Estabelece forte vínculo, ainda, com a ação emergencial intitulada “Estudar a viabilidade de constituição de um Fundo de Investimentos, a partir da TSA, visando a consolidar a competência institucional de agência de desenvolvimento”.
A fonte dessas linhas de ações, dessas táticas é o Plano Estratégico da Suframa aprovado pelo CAS em 2010. As três áreas estratégicas aqui selecionadas para priorizar a construção de um capitalismo amazônico oferecem 37 linhas de ações, portanto, fizemos uma seleção representando 27%. Ao todo, o Plano Estratégica alinha 84 táticas, distribuídas nas oito áreas estratégicas (desenvolvimento organizacional, 10; gestão de incentivos fiscais, 7; logística, 10; tecnologia e inovação, 14; atração de investimentos, 9; inserção internacional, 11; capital intelectual e empreendedorismo, 9; e, desenvolvimento produtivo, 14). É muita ousadia! O seu conjunto representa um verdadeiro desafio histórico!

Considerações Finais

Nem se a Suframa fosse política e financeiramente forte, como nos velhos tempos, conseguiria executar sozinha as 10 linhas de ações selecionadas, muito menos a sua totalidade alinhada junto às áreas estratégicas. Parcerias institucionais e acordos financeiros seriam necessários para implementar minimamente as táticas, em termos de metas, prazos e cronogramas, que vertem, na nossa opinião, para a trilogia virtuosa do capitalismo: empreendedorismo, crédito e inovação. Aplicável às amazonidades, por certo e claro. E, sobretudo, vontade política e empreendedorismo institucional. Sem falar que outras visões estratégicas devem ser acionadas e complementadas, coordenadas e sistematizadas pela interação governo-academia-indústria. Tudo amalgamado por um "Sistema de inteligência competitiva sistêmica", entendido no Plano Estratégico da Suframa como um fator crítico de sucesso.
A década 2003-2012 proporcionou a emergência do Sistema Manaus de Inovação. Desde então, iniciativas e feitos para alavancar o empreendedorismo tem sido itens constante da agenda política. O crédito precisa entrar definitivamente na lógica do risco associado ao sistema capitalista e vertido ao progresso técnico. A superação da dependência aos investimentos produtivos e pacotes tecnológicos exógenos não poderá ser conquistada em uma década, mas talvez seja possível em um século, caso esforços sejam encetados e empreendidos desde aqui e agora. Superar não significa negar, mas ir além.
Insta registrar que apesar de se transitar por mecanismos e ferramentas de política industrial e tecnológica visando a consolidação de firmas existentes e instaladas, tanto de capital local quanto estrangeiro, a prioridade é pela criação de novas firmas, privilegiando o título da reflexão. Tudo na vida é opção e decisão. Que haja um capitalismo amazônico num futuro desejado, que proporcione melhor liberdade política e maior independência econômica no chão amazônico! Entende-se, nesse contexto, que a atração de investimentos representa uma política pública consolidada.




[1] Da lavra de Antônio José Botelho, enquanto “Carta aberta” aos Engenheiros da Turma de 1978 da Ufam.
[2] Termo hiperbólico, entendido como uma categoria de análise, criado pelo autor para acomodar outros conceitos, quais: growing up e economia de enclave industrial, que participam de outras reflexões e que objetivam motivar e desafiar o capital social de Manaus a superar a dependência do Projeto ZFM. A ideia da construção de um capitalismo amazônico é o cerne do Pequeno Ensaio em prol de um Capitalismo Amazônico a partir de Manaus, publicado em 2011 pela Editora Caminha em Manaus e em 2012 pelo sistema iTunes na rede mundial de computadores.

sábado, 25 de junho de 2016

NEM À ESQUERDA, MUITO MENOS À DIREITA, MAS À FRENTE II!

Tudo às claras: nova homenagem a 2016!

O lulapetismo com o seu descomedimento em acumular recursos para financiar a manutenção do poder conquistado determinou a oportunidade histórica para uma verdadeira lavagem na ética da política nacional, em especial na sua forma de viabilizar campanhas e de sustentar uma base aliada, com desdobramentos para a formação de riquezas pessoais escusas. Já sabíamos que a prática era fraudulenta, sentíamos o cheiro de podridão, mas a proporcionalidade que a corrupção ganhou corpo na era petista tornou insustentável o castelo de poder.

Esse tiro no pé foi aprofundado com a renovação do capital humano das instituições e organizações de Estado, quais Ministério Público, Polícia Federal, Controladoria, etc. Na realidade, novas instituições e novas funções de controle foram criadas e paulatinamente implantadas desde 1988. Aqui, no chão institucional tupiniquim, determinado decano se mostrou preocupado com o nível e a velocidade das mudanças, pelo que argumentei que a nova turma era mais bem preparada do que nós quando aqui entramos no jogo três décadas atrás. Uma nova institucionalidade e organicidade estão em curso no chão amazônico. Oxalá não dê “com os burros n’água” quanto à perspectiva do autodesenvolvimento.

Já intuíamos que o processo de financiamento de políticos e de partidos envolvia a contratação facilitada e onerosa nas gestões públicas que se sucediam para atendimento das necessidades da sociedade e do Estado. Em três décadas de falcatruas, a produtividade da economia nacional tendeu para zero, especialmente nos últimos 13 anos, considerando a percolação que o lulapetismo permitiu com a sua estratégia de manutenção de poder. Literalmente, colocou todo mundo no bolo, comprometendo todos, que em geral eram convidados para assumir pastas ministeriais e postos no segundo escalão de governo.

Nesse processo, políticos e seus descendentes tornaram-se, da noite para o dia, empresários e empreendedores de sucesso, acumulando fortunas e formando impérios, nunca antes visto neste país. Carros de luxo; mansões e sítios hollywoodianos; vinhos e champanhes de marcas e safras especialíssimas; jantares espetaculares; viagens inebriantes; barcos e aviões particulares ultramodernos; relógios, sapatos, bolsas, canetas e gravatas de grifes; enfim, um estilo de vida nababesca. Em alguns casos, tornaram-se verdadeiros latifundiários, simbolicamente donos de territórios que se confundiam com seus estados de origem, acumulando poder nas várias esferas de governo, entrando ano e saindo ano. Na realidade, os mais poderosos permanecem por décadas. Os decanos ainda hoje promovem indicações para conferir apoio político, quer sejam filhos ou apadrinhados políticos.

Todos sabem de tudo! Essa é a impressão que se tem com as notícias que saem decorrentes das investigações e delações premiadas, pois todos usam o mesmo sistema de financiamento. São hábeis em gerar prestações de contas decadentes e mentirosas, com notas fiscais e recibos falsos emitidos por firmas fantasmas registrando serviços não prestados. Tanto é verdade, que juízes, policiais e investigadores da nova safra afirmam que a nação e o solo pátrio estão impregnados da doença cancerosa em todo o tecido social. E na forma de metástase, eu diria. Aqui, na praça tupiniquim, práticas institucionais e políticas se sustentavam à base do comprometimento de matrizes de supostas irresponsabilidades, à semelhante do que se diz que na Petrobrás a corrupção é, ou era sistêmica. Pelo menos duas delas construídas com imponência já estão sendo objeto de vasculha de suas contas e propinas, que poderá resvalar em políticos locais. Em nível mais inferior, mas necessário à competitividade, ruas e avenidas do palco industrial continua sofrível, mesmo após recursos disponibilizados em duas oportunidades, os quais talvez tenham sido desviados para financiar campanhas políticas.

Tempos atrás, cerca de 28 anos, quando cursava disciplinas do mestrado na UFPb, ouvíamos falar que toda obra pública realizada no Brasil poderia ser multiplicada por duas vezes e meia. Hoje os profissionais públicos que caçam corruptos afirmam que o volume de recursos da sociedade que são drenados para os políticos e partidos é da ordem de RS 200 bilhões ou mais de reais por ano. Mais do que o atual déficit orçamentário da União. Quantas escolas, hospitais, estradas, hidrovias, portos e aeroportos não poderiam ser construídos e mantidos com essa grana? Nessa volúpia nem mesmo funções que deveriam ser caras para a esquerda ficaram imunes, como sistemas de financiamento de casas populares, de empréstimos consignados a servidores públicos federais, de cooperativas de pensões para a terceira idade, dentre outras que certamente emergirão como metástase. As investigações, apurações e condenações tomam curso estratégico para não fazer ruir a autoridade política da República. Os impactos da lavagem ética, portanto, limpam o passado e o presente, e limparão o futuro.

Todo esse cenário só foi possível emergir com o tiro no pé do lulapetismo. Tudo na dualidade tem aspectos negativos e positivos. O lulapetismo trouxe a possibilidade da lavagem ética na política nacional. Partidos de todos os naipes e políticos de todas as cores estão de uma forma ou de outra, ou mais ou menos envolvidos com falcatruas e contabilidades em paralelo à legalidade e à legitimidade. Até os mortos e os mais tímidos e recatados têm suas responsabilidades no processo, por ação ou omissão. Mas todos, corruptores e corrompidos, negam tudo, veementemente, como não se cansam de dizer os repórteres e jornalistas que cobrem as diárias aberrações estarrecedoras que chegam aos nossos ouvidos.

E o processo pelo que se percebe se sofisticou. Não basta superfaturar projetos e serviços, cobrando uma taxa percentual na liberação de toda fatura. Não basta aditar contratos. Vendem-se influências para a edição de decretos e para a contratação de projetos especiais e grandiosos, no Brasil e no exterior. Criam-se sistemas que vazam e drenam dinheiramas para o esgoto da corrupção. Até departamento com expertise na camuflagem em firma privada associada à corrupção foi estruturado, indo até a compra de bancos em paraísos fiscais para facilitar as transferências, quando não são entregues em dinheiro vivo. Cômico era o fato de que no início, com a inexperiência lulapetista, a grana era transportada até mesmo em cuecas e calcinhas. Vejam aí que coisa feia.

Sediamos recentemente a Copa do Mundo e ainda temos obras por conta do evento inacabadas. Sediaremos a seguir as Olimpíadas e nem todo o aparelhamento público estará executado. O Estado da Federação sede está em situação de calamidade econômica, sem recursos para folha de pagamento e contratos essenciais como saúde, segurança e educação. Violência e epidemias correm soltas às vésperas de receber turistas que assistirão aos jogos e eventos olímpicos. Esse é retrato do nosso país para o exterior; um país que parece não toma jeito. Produtividade quase zero!

Renomado articulista e comentarista tupiniquim afirma que todos temos culpa no cartório, na medida em que todos os políticos e partidos estão envolvidos até o pescoço com práticas que envolvem caixa dois e demais ilegalidades. Diz ele que ninguém é bobo nesse processo. Eu já fiz a mea-culpa me declarando ex-voto ideológico do PT em 2005, desejando hoje vê-lo na lona, nocauteado. Mas, a direita conservadora não deve sair ilesa, pois as práticas potencializadas pelo lulapetismo já eram adotadas desde sempre. As mobilizações sociais devem manter a chama em prol da correção, antes da ideologia, doa realmente a quem doer. A lavagem ética na política nacional deve ser finalizada em benefício das gerações futuras. E os mais fanáticos e fundamentalistas de esquerda devem aceitar a derrota e aguardar uma nova oportunidade histórica, para fazerem mais e melhor, mas com correção. Até porque o infinito oceano de mudanças permanentes fará a roda rodar.

Uma nova política deve ser inaugurada. Um novo sistema de financiamento e de estrutura partidária deve ser aprovado pelo Congresso Nacional. As campanhas devem ser o mais simples possível, como me disse um bem-sucedido empresário engajado no retorno da direita e da feição conservadora ao poder. Nada de cenas e espetáculos mediáticos e mirabolantes para impressionar o eleitor. Basta uma câmera, uma mesa, um pano de fundo azul e um conteúdo programático compatível com o momento histórico. O candidato deve ser e estar limpo. Ter comprovada experiência competente e demonstrar boas intenções. Sua declaração de imposto de renda e suas práticas sociais devem ser acompanhadas de perto pelos cidadãos. Idem, para sua descendência, parentes, aderentes, amigos e correligionários. A mordomia no Estado deve acabar; esse custo é elevadíssimo.

Qual a origem disso tudo? Talvez o Grito do Ipiranga, que inverteu a lógica natural de formação do Estado desde a formação social de uma nação. Mas certamente passa pela falta de educação e instrução do povo, que não sabe eleger seus representantes e que não acompanha de perto suas realizações e desatinos. De igual forma, a formação estatal por primeiro sustenta a indistinção entre coisa pública e coisa privada, entre orçamentos públicos e negócios privados. Aqui neste chão institucional até uma imagem de Nossa Senhora está aposta, como se fosse um santuário familiar, negando a natureza laica do Estado. Que Ela, que o Universo conspire favoravelmente para a superação dos entraves e obstáculos para o autodesenvolvimento pátrio, agora que temos o Custo Brasil estendido para além da deficiência de infraestrutura econômica, configurado pelo cancro da corrupção. Que ele seja extirpado! Que possamos manter o alerta e oferecer nossas contribuições genuínas isenta do cunho ideológico. E neste particular, confesso outra mea-culpa: que apesar de socialista por convicção, defendo racionalmente um capitalismo amazônico, lastreado por amazonidades, para conferir a todo amazônida que nasce, vive e morre no chão amazônico maior independência econômica e melhor liberdade política.

De novo: tudo isso só foi possível por conta do lulapetismo. Então, ao anverso e às avessas: viva o lulapetismo! O Congresso Nacional e a sociedade brasileira devem agora buscar novos rumos, com uma nova sistemática de se fazer política, e, sobretudo, peneirando com bitolas reduzidíssimas os melhores políticos para nos representar com legalidade e legitimidade.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

SOBRE MARCOS REGULATÓRIOS APLICÁVEIS À REALIZAÇÃO DE AMAZONIDADES 2

À guisa da industrialização no chão amazônico: rodando exigibilidades para as AMAZONIDADES

O processo de industrialização em seu estado bruto exige ferramentas, instrumentos e mecanismos de política industrial ex ante a consolidação de determinada tendência tecnológica e ex post quando esta se efetiva em termos de uma cultura tecnológica. Em seu estado refinado, a industrialização aponta para o processo de inovação, exigindo, permanentemente, melhorias, incrementos e, por fim, rupturas, quando novas tendências se interpõem.

Já argumentei em outras oportunidades que AMAZONIDADES é algo transcendental, que verte para possibilidades ainda inauditas. Afinal, realizar produtos e serviços desde insumos e saberes da floresta, sob a perspectiva da ética sustentável e sob a égide autossustentada, representa um heroico desafio histórico e mesmo civilizatório. Não à toa propus uma categoria de análise ainda inexplorada plenamente: growin up. Na realidade, ela é inexistente frente às especialidades técnicas e científicas da industrialização lastreada pelos combustíveis fósseis. Poderíamos dizer que insumos grosseiros, tais como plásticos e isopores, cederão lugar a insumos sutis, raízes, cascas, folhas e frutos de árvores, dentre outras fontes renováveis.

Apesar de já serem visíveis, AMAZONIDADES ainda não predominam no mercado; ainda não representam uma tendência tecnológica consolidada. Então, como incentivar sua industrialização para que ganhe musculatura no mercado, via consumo permanente, a fim de potencializar conhecimentos, negócios e acumulações?

A expertise pátria, enquanto Estado tardio no processo de industrialização, é a concessão de incentivos fiscais e financeiros aos investimentos e à produção, para alavancar a substituição de importações. Isso vale desde o Plano de Metas, reverberando na ZFM. Aplicam-se as ferramentas, instrumentos e mecanismos de política industrial para uma tendência tecnológica já estabelecida pelos países que construíram e que mantém a fronteira tecnológica.

Há uma estrutura de arrecadação e cobrança que alimenta e nutre os sistemas tributários nacionais tardios, enquanto recursos do tesouro público a financiar programas e ações de governo para a sociedade, além das próprias estruturas, burocracias e tecnicismo de Estado. Isso implica necessariamente em alíquotas com percentuais médios a elevados. Vale dizer: qualquer política de promoção industrial com base no financiamento de recursos e na concessão de incentivos fiscais somente terá peso relativo forte se houver impacto na cadeia de custos da respectiva produção. Não haverá atratividade para isentar o que representa pouco ou nada nessa estrutura. Não à toa a ZFM atrai investimentos, cujas vantagens comparativas são mantidas favoráveis relativamente a outros lugares por força das alíquotas médias e altas de seus produtos. Não à toa, por outro lado, observa-se as limitações do Decreto-Lei 1.435/1975.

Então, como incentivar produtos fora do circuito tecnológico estabelecido, que financia o Estado tardio e seus governos, com alíquotas baixas associadas ao seu sistema tributário nacional? Isso sem considerar que os produtos, como sugerido acima, são em sua maioria esmagadora inexistente: inauditos e transcendentes à atual roda industrial e tecnológica.

Só será possível, primeiramente, se um futuro desejado associado fizer parte da cognição do capital social, no caso manauara e amazônico. Em segundo lugar, se transmutarmos nosso DNA societário no sentido de percebermos a necessidade de construirmos um processo de autodesenvolvimento, adotando o risco industrial e tecnológico como plataforma de voo histórico e civilizatório, considerando o atual sistema de produzir, distribuir e consumir mercadorias e serviços. E em terceiro lugar, se estabelecermos um programa amplo de desenvolvimento industrial e tecnológico, que integre as vertentes que consubstanciam a sua promoção que é o crédito, o empreendedorismo e a inovação.

A idealização e implementação de uma Política Industrial e Tecnológica para AMAZONIDADES, que contenha a visão adequada de uma perspectiva histórica e civilizatória sustentável e autossustentada, deveria ser o foco dos governos, indústria e academia. Iniciativas isoladas, sem a percepção de que uma trajetória tecnológica alternativa exige ferramentas, mecanismos e instrumentos próprias, tenderão a “dar com os burros n’água”. É o que poderá acontecer com os Decretos 6.614/2008 e 8.597/2015.

O que queremos dizer com esses argumentos? Inicialmente, que devemos entender e aceitar que a atração de investimentos é apenas uma perna do crescimento industrial; que sem a perna da criação o autodesenvolvimento nunca se dará, delimitando a dependência industrial e tecnológica. Em seguida, que devemos visualizar e modificar nossa postura histórica, sempre dependente de capital e tecnológica exógena, o que é fato desde quando Pombal concedia incentivos para atrair investimentos e negócios para o chão amazônico. Finalmente, que devemos mobilizar e integrar todas as ferramentas, instrumentos e mecanismos de política industrial e tecnológica, visando a construção de um futuro desejado em torno de AMAZONIDADES.

Já havia colocado em outros escritos que o desenvolvimento sustentável deve ser adotado como um ACASO para a formulação de uma perspectiva histórica e civilizatória que oportunize maior independência econômica e melhor liberdade política para todo aquele que nasce, vive e morre no chão amazônico. O século XXI impingirá em definitivo essa nova utopia para a humanidade; que ele seja o cavalo alado que passa pela Amazônia. Todos nós devemos selar, montar e cavalgar nessa oportunidade de ouro para a construção de um processo de industrialização e de inovações tecnológicas associadas as AMAZONIDADES que seja longo e duradouro.

Vale dizer: todo marco regulatório que concede incentivos fiscais para AMAZIDADES deve estar combinados e reforçados por iniciativas inseridas no contexto conceitual da hélice tríplice e no ambiente favorável da lógica dos sistemas locais de inovação. Idealmente, a legislação promotora e totalizadora deve ser complementar e suplementar. Enfim, todas as políticas públicas de governos amazônicos devem estar recheadas com variadas fontes de financiamentos de negócios e com diversas formas de indução de empreendedorismo, tanto científico-tecnológico quanto profissional e especializado. Os planejamentos e parcerias estratégicas de todas as instituições e laboratórios deverão estar alinhados com os de empreendedores, empresários e profissionais do capital, individual ou coletivamente no que concerne às firmas potenciais e/ou instaladas no chão amazônico e suas representações de classe.

Além de incentivos fiscais à jusante dos investimentos, no caso de AMAZONIDADES, que não têm presença forte no sistema tributário nacional, exige-se a utilização de subsídios, do poder de compra das administrações, proteção e reserva de mercado, prêmios pecuniários à criação e exportação, subvenções econômicas, dentre outros elementos de política industrial. À montante e à jusante devem estar albergados com o provimento de infraestrutura econômica, oferecendo logística integrada, qualificação profissional, objetivando bons trabalhadores, bons gestores e bons pesquisadores, pesquisas e investigações, visando melhorias e inovações incrementais, quiçá transformadoras.


Uma visão de futuro que propugne o desenvolvimento de AMAZONIDADES deverá estar ancorada na valorização da nossa identidade cultural, que privilegia nossos hábitos e costumes, nossa gastronomia e vestuário, nossa geografia e história antes da adoção fácil e gratuita de padrões de consumo que sustentam tendências tecnológicas criadas alhures por alheios. A ideia não é viver isoladamente no mundo globalizado, mas caminhar com as próprias pernas, pensando globalmente, agindo localmente. Nesse sentido, registre-se o sucesso do laboratório de informática da Ufam e de seus pesquisadores e empreendedores associados, que já jogam o jogo global em suas áreas de atuação desde o chão amazônico. Mas, registrem-se também as centenas talvez milhares de teses que se avolumam nas estantes de institutos e laboratórios de pesquisas, sem a devida transformação de conhecimento em negócios.

domingo, 22 de maio de 2016

NEM À ESQUERDA; MUITO MENOS À DIREITA: MAS À FRENTE!

Correção antes da ideologia: uma homenagem a 2016!

Inicio a reflexão afirmando ou informando que fui um ex-quase anarquista covarde. Ao sair da Universidade, formado em engenharia civil e administração e recém-casado, tive contato teórico com os textos de Bakunin, Proudhon, Malatesta, Kropotkin, dentre outros, como Tolstói. Estávamos em 1983/1984. Apesar de não ter avançado numa prática mais contundente, passei a adotar algumas amarras e limites para questionar a autoridade e a evitar acumulação.

Na realidade, creio que conflitos com a autoridade fazem parte da personalidade desta forma ordinária, que sempre estabelece o contraditório com firmeza e determinação. Sempre questionador, em algumas oportunidades históricas arranhou a relação hierárquica inerente às instituições. Nessas experiências, imbuído de boa intenção ideológica vertida ao autodesenvolvimento, sempre observou e constatou a limitação que a autoridade política determina na criação humana.

No plano pessoal, como já disse em outros escritos, optei em me tornar um pequeno burguês servindo à sociedade via Estado, em detrimento de ir atuar diretamente no mercado. Até mesmo por incompetência em comprar/produzir para vender ou simplesmente vender conhecimento. Até mesmo pela oportunidade do momento histórico pós-formatura. Ou ainda pela tradição familiar. Mas entendi e aceitei a oportunidade profissional ao ajustamento ideológico. Creio que o público alvo do pequeno burguês é mais coletivo do que o do empreendedor e do empresário ou mesmo do profissional do capital.

Nessa seara, consegui, junto com minha companheira, encaminhar nossas filhas para a vida e para o mercado, não sem contar com a ajuda de muitas pessoas, como pais e irmãos, dentre outros amigos. Hoje, conseguimos manter o núcleo familiar com apenas uma casa, duas contas bancárias e dois carros, meus e de minha companheira, simbolizando a opção mínima no acumular.

Mas essa pequena introdução biográfica é apenas para consubstanciar as opções políticas. Mais uma vez, contrariando o anarquismo, na sua vertente anarco-sindicalista, sempre fiz opção política pelo voto. E, face ao histórico da formação socioeconômica nacional, sempre marcando posições à esquerda. Assim, me enamorei pelo discurso ético-moralista do Lula e do PT. Quase me filiei à legenda, retrocedendo quando percebi o assembleísmo com que suas decisões são tomadas, apenas aparentemente negando o coronelismo.

Votei no Lula até quando em 2005 senti cheiro de podre ao ele afirmar à sociedade brasileira que nada sabia sobre o que viria a ficar conhecido como escândalo do mensalão. Como pode o capataz da engrenagem estar preso e o coronel não? Ou vice-versa? A oposição errou ou medrou ao argumentar a governabilidade, e proteger a economia que ia bem, frente à possibilidade de aprofundar as investigações antes das eleições de 2006. Engraçado que foi nessa época em que deixei de ser aproveitado profissionalmente em nível de cargos de confiança, exatamente após as experiências na administração FHC. Talvez meus pares, já intuindo minha construção ideológica, como já dito e redito, vertida ao autodesenvolvimento, associado ao fato de que andava no chão institucional e nos salões sociais com estrelinha do PT no peito, afastaram-me, por precaução ou por outro motivo qualquer, dos círculos da corte.

Esse corte foi sacramentado na administração da Dilma, quando um ferrenho correligionário petista assumiu um cargo sob o qual estava subordinado. A essa altura, já havia me manifestado como ex-voto ideológico do PT. Por uma ou por outra razão, carta fora do baralho, consolidado o estigma de polemista ou por força de manifesta inconformidade psicossocial, como rascunhou uma colega da Suframa. Outro colega já havia afirmado que o jogo é complexo, talvez insinuado que incautos e neófitos não devem jogá-lo. Mas, a ideologia do autodesenvolvimento continuou agregando valores, com novos dados, informações e conhecimento. Sem a habilidade do agir politicamente correto, avancei questionando a natureza intrínseca da ZFM, que gera dependência aos investimentos e pacotes tecnológicos que financiam a industrialização de Manaus.

Quase escorrego na temática à qual me apego em demasia e que me é cara. Mas a ideia é associar a oportunidade que o anarquismo me deu, de estar à frente, especialmente hoje após a frustrada experiência histórica do lulapetismo. A administração Lula navegou em voo de cruzeiro, quando as demandas chinesas pelas commodities brasileiras estavam em alta. Essa condição favorável, junto com a estabilidade da moeda conquistada as duras penas na administração FHC, financiou a adoção de políticas de inclusão e de assistência social, inauguradas sob a égide da socialdemocracia tucana, com o idealismo da primeira dama Ruth Cardoso. O “sucesso” dessa política sustentou 13 anos de exercício de poder. É fácil administrar na fartura; difícil é superar os momentos de dificuldade com criatividade e responsabilidade.

O lulapetismo teria estado à altura do momento histórico que teve se tivesse tido a responsabilidade de reduzir os programas sociais, revendo seus critérios e níveis e reformatando seus projetos e ações, aos primeiros sinais de desgaste e de esgotamento de suas fontes de financiamento. Mas preferiu jogar o rombo para debaixo do tapete para não perder as eleições. Jamais poderia ter sido colocado em risco a economia como um todo, drenando o tesouro nacional, para sustentar uma igualdade de oportunidades insustentável. Seu número, 13, apontava para a magia; hoje representa o trágico!

Infelizmente, ou felizmente, o sistema que organiza a sociedade humanoide é o capitalista, que gera acumulações e exclusões. Não à toa, tocado pelo anarquismo, creio que a ala política mais aderente à perspectiva distributiva está à esquerda. Mas a insistência de políticas populares, em nível de opção governamental não pode, não deve provocar contrações, depressões e recessões, solapando as próprias conquistas sociais, como se fez. O sistema capitalista por si só já é temerário frente aos seus ciclos econômicos. No sentido da consciência econômica, talvez o melhor exemplo latino seja o chileno.

A decepção e ceticismo, todavia, foi maior e irrevogável com a corrupção, supostamente para financiar um projeto político totalitário. Aqui ratifico o título da reflexão: correção antes da ideologia. Realmente foi estarrecedor o estrago causado pelo lulapetismo desde o mensalão até o petrolão. E aqui não está a salvo nenhuma figura política, nem à esquerda, nem à direita. Nestas plagas tupiniquins, pequenas fortunas foram formadas desde a implantação da Nova República, sob o slogan “rouba, mas faz”. Projeto político que, em verdade, ainda se reproduz, ora à direita mascarado de esquerda; ora à esquerda utilizando-se da direita. Portanto, sempre a direita dando as ordens e tentando promover o progresso, como é do DNA positivista da República.

Segundo especialistas, caso a Petrobrás adote as melhores práticas e estratégias a partir de 2016, retornará aos níveis de valorização de mercado, com investimentos de liderança, somente daqui a uma década. Será que temos consciência do que isso significa? O lupatismo exponenciou ao quase-infinito o mesmo expediente, a mesma prática histórica da direita, porém, se lambuzando como todo novo rico emergente, sem tradição nas coisas boas da vida, que infelizmente o sistema capitalista nega à maioria. Mas essa condição não justifica: antes a correção, ante a ideologia. Cheguei até a publicar no meu sítio uma carta aberta à presidente, parabenizando-a pelas medidas moralizadoras adotadas no início do primeiro mandato. Ledo engano; quanta ingenuidade. O pior já estava em curso.

Nesse cenário de tristeza e decepção com a atual formação socioeconômica nacional, penso que as investigações devem avançar, retirando do poder todo aquele que faz da Constituição Federal e do Estado de Direito, respectivamente, peça e ordem de ficção científica. O Tio Sam afirmou que a democracia brasileira está forte. Discordo frontalmente, pois nossas instituições devem ser fortalecidas na base com educação e instrução do povo. Nossos políticos corruptos não devem encontrar facilidades de toda ordem para se manterem no poder; antes devem encontrar obstáculos intransponíveis para se candidatarem em prol do progresso. E os eleitores devem ter a consciência do que seja realmente importante para a sociedade como um todo. Tanto no curto, quanto no médio prazo, e especialmente no longo prazo, enquanto projeto de sociedade.

Para este pensador, hoje com 57 anos, portanto, não valem nem os discursos de esquerda, muito menos os de direita. Mas os que se posicionam à frente. À frente com uma postura verdadeiramente ética, de respeito ao coletivo, ao poder e recursos do povo. À frente com a ética da autossustentabilidade. À frente com a possibilidade da meritocracia. À frente com uma maior taxação de grandes fortunas. À frente com a extinção do direito de herança de família. À frente, sim, com programas de inclusão social, quando estes forem possíveis, sem prejuízo à solvência da economia capitalista.

Comunismo, ou melhor, socialismo real, é quando o Estado é proprietário dos meios de produção, quando o mercado é substituído pelo planejamento central e quando o contrato social não cultua a propriedade privado como esteio da sociedade. Esse tipo de organização social representa uma experiência histórica falida. Da mesma forma, a estória de que comunista come criançinha também já era. A direita conservadora deveria ser mais séria com conceitos historicamente estabelecidos e consagrados na academia. A superação do capitalismo não depende de canetadas, nem mesmo de armas, mas da extirpação dos venenos da ambição, da inveja, do orgulho sediados coração. Até lá, muito aprendizado amoroso e compassivo vai rolar debaixo da dualidade!


Essa visão política ideológica, à frente, foi possível incorporar com a leitura da doutrina anarquista e com a sensibilidade às mudanças climáticas, que oportunizou a percepção das causas e efeitos das rachaduras do tecido social e das demandas planetárias vertidas à sustentabilidade. Hoje amenizada e organizada com a busca do autoconhecimento, que adota como pressuposto a impermanência de tudo e de todos.

domingo, 8 de maio de 2016

SOBRE MARCOS REGULATÓRIOS APLICÁVEIS À REALIZAÇÃO DE AMAZONIDADES

Autoconhecimento versus Autodesenvolvimento: uma crítica em prol das amazonidades

É sabido que apenas uma diminuta parte dos seres sencientes busca permanentemente saber o que de fato são, de onde vieram e para aonde vão. E isso envolve saber o que se deve realizar em vida e de que forma essa existência deve ser cumprida. Todo esse processo poderia ser entendido de busca do autoconhecimento.

Essa não percepção, em geral, decorre do fato de que nós trocamos o que é Real, no sentido de que está além do tempo, pelo que é irreal, o qual é submetido à impermanência de tudo e de todos. Aceitamos nossa identidade com o CPF e com o status que conquistamos durante a existência, sem nos darmos conta de suas transitoriedades. Metrificamos essa perspectiva na propriedade de bens móveis e imóveis, na conquista de títulos e honrarias e no desfrute de status e poder.

A viagem do autoconhecimento se opera numa espécie de involução, quando devemos procurar zerar o produto das ações que realizamos no passado, presente e futuro. Superada a ignorância quanto a uma Realidade Última, os frutos das ações passam a ser vivenciadas sem apego e sem aversão. Nesse sentido, importa a essência da existência, deslumbrando o que está por detrás das manifestações, sem descuidar dos próprios fenômenos. Vale tanto a imanência quanto a transcendência. Vale a totalidade subjetiva e objetivo do Universo.

Mas, atenção: como apenas o Sujeito não pode ser destruído, é Nele que está contida a Verdade. E o que isso tem a ver com o autodesenvolvimento? Tudo, se estabelecermos links associados à criação e consolidação de condições objetivas para o progresso técnico e industrial autossustentado.

Autodesenvolvimento é uma categoria de análise que tento permanentemente elaborar para qualificar a ZFM como Projeto, e, por conseguinte, como meio para o desenvolvimento sustentável. Nesse cenário, o Projeto ZFM proporciona o crescimento econômico associado à indústria de transformação que se processa em Manaus a quase meio século. Nesse processo, a tônica é a da atração de investimentos, pelo que a maioria da energia, senão toda, gasta na sistemática do marco regulatório geral está envolvida como num fim em si mesmo.

Portanto, qual quando estabelecemos a identidade com nosso ego, a inteligência e a consciência tupiniquim estão focadas nas evidências positivas da ZFM, sem desafiar a dependência de capital e de tecnologia que reproduz o crescimento industrial. É muito fácil à indústria de transformação da ZFM permitir novos entrantes, sem que haja o desgastante e custoso processo de inovação, que desbravam as tendências tecnológicas. Basta cumprir o PPB!

Esse modelo mental é tão fortemente limitado, que, mesmo após mais de quatro décadas de operação, não conseguimos gerar uma só marca global como resultado de conhecimento aplicado à indústria high tech. Na realidade, esse modelo mental, fácil para a atração de investimentos e frágil para a emergência de negócios, resta ratificado com dois dos marcos regulatórios idealizados para a explotação do chão amazônico.

Vejamos. O primeiro vige desde a segunda metade da década dos anos 1970. Prevê a isenção de IPI sobre produtos elaborados com insumos da floresta para firmas com projetos industriais aprovados pela Suframa e estabelecidas na Amazônia Ocidental.(1) Esta isenção tributária fica adicionada da geração de crédito equivalente ao pagamento desse imposto calculado como se devido fosse, quando utilizados na industrialização de outros produtos em qualquer ponto do território nacional. Ou seja, além da isenção ainda gera crédito tributário!

Qual foi a grande marca a nível global que o chão amazônico promoveu com essa baita ferramenta de política industrial? Nenhuma! Ainda que possa ter beneficiado um conjunto de pequenas empresas, em especial as que exploram madeira, com tecnologia universal. Grandes perguntas, vertidas ao por que a perspectiva da industrialização não se estabeleceu de forma próspera e progressista, poderiam ter sido feitas, problematizando o cenário inerte quanto à realização de amazonidades:

ü  Por força da falta de empreendedorismo, de tecnologia/inovação e/ou de crédito?
ü  Por força da falta de logística e de mercado?
ü  Por falta de políticas e de regulamentações complementares?

Ao invés de se questionar e investigar, procurando sanar e superar as dificuldades e os obstáculos, adotou-se um novo marco regulatório que aponta para a atração de investimentos.(2) Isso é verdade porque nem mesmo o novo marco regulatório saiu do forno, neste final de 2015 e início de 2016, e já se flerta com a tradicional indústria de perfumaria francesa que utiliza, desde quase sempre, insumos da floresta para fins de se oferecer as novas isenções na Amazônia.

O novo marco, idealizado especificamente para as ALC’s, está estruturado na isenção de IPI para produtos finais fabricados com insumos da floresta. Seu maior mérito é organizar e unificar essa temática contida nas legislações de criação das ALC's. Apesar das diferenças entre ambos, podemos afirmar que são equivalentes quanto ao mérito da isenção tributária que se cristaliza mediante produção industrial.

O primeiro marco regulatório aponta para matérias-primas, produtos intermediários ou matérias de embalagem a serem aplicados numa nova industrialização. O segundo aponta para produtos finais a serem consumidos no mercado. Registre-se que uma aplicação não exclui a outra. Observe-se que os locais da nova legislação estão contidos no espaço maior da primeira, à exceção da ALCMS. A nova legislação perde quanto à agregação de crédito tributário, além de estabelecer condições de predominância de matérias-primas de origem regional. Em ambos, o mercado externo está restringido, o que não dá para entender. Talvez para ratificar o mercado interno vertido à sina da substituição de importações, via atração de investimentos. Mas, talvez, aí resida um erro crasso; não só quanto a perda da oportunidade, expressa por uma necessidade, de gerar produtos dinâmicos, quanto pelo fato de amazonidades apontar para produtos inovadores.

O que queremos destacar é a possibilidade do segundo marco regulatório, cujo nome-fantasia reforça a memória das contradições internas do marco regulatório mor, dar com os burros n’água frente à perspectiva do autodesenvolvimento, na medida em que os entraves relativos ao insucesso do primeiro não terem sido superados, nem mesmo problematizados. Da mesma forma que só conseguimos avançar na busca do autoconhecimento quando passamos a observar e ajustar à Ordem Cósmica, expressa pelo Dharma, os nossos pensamentos, palavras e ações, o autodesenvolvimento resta comprometido se não promovemos internamente a emergência e a expansão de firmas locais para acumular lucros e para apropriar conhecimentos associados à indústria da transformação, considerando a lógica do sistema capitalista. Assim como as casas, conta corrente e carros não nos pertencem em definitivo, as marcas globais instaladas na ZFM e no chão amazônico são apenas nossas parceiras no processo de industrialização, no qual devemos nos posicionar como agentes de transformação e não somente como atores que reproduzem scripts e papéis.

Entre esses marcos, ainda temos o marco regulatório direcionado à bioeconomia, sob a perspectiva do cumprimento do PPB, aplicável na ZFM, que deverá dar maiores frutos junto à lógica da atração de investimentos, conforme notícias relativas à aprovação de projetos industriais de marcas não locais, ainda que nacionais.(3) Isso ratifica que continuamos carentes quanto ao estabelecimento de um motor próprio para alavancar e potencializar uma indústria de transformação que realize amazonidades, tanto no chão amazônico, quanto na ZFM, que devem ser entendidas como a realização no mercado de produtos fabricados com insumos e saberes da floresta.

Continuaremos, nesse passo e pisada, não tendo marcas globais, não registrando patentes e não acumulando royalties, distantes que estamos da fronteira tecnológica e mesmo de uma acumulação primitiva de capital industrial, cujas posses provisórias são indispensáveis para o uso e ocupação soberana da Amazônia por amazônidas via amazonidades. Sem xenofobismo, mas com autonomia, visando a própria realização industrial e tecnológica. À propósito, a aplicação de incentivos fiscais, para a realização de amazonidades, deveria ser desobrigada de cumprimento de PPB em todo chão amazônico. Especialmente toda aquela realizada com capital e tecnologia amazônidas! Idealmente toda aquela derivada da transformação de conhecimento em negócios!

A busca da liberdade e da imortalidade, possível de ser conquistada com o autoconhecimento, é longa e dura. A trajetória industrial que poderá conferir liberdade política e independência econômica para a Amazônia também é longa e dura. Mas nunca poderá ser trilhado e atravessado o desafio se não nos dermos conta da necessidade de termos capital e tecnologia endógenas. Nossa inteligência usa o nosso ego para focar na quantidade e mesmo a qualidade do produto ZFM ao invés de utilizar nossa consciência para questionar a natureza intrínseca do produto ZFM. Devemos ser o sujeito, e o objeto, de nossa indústria de transformação!

(1) Decreto-Lei 1.435/1975.
(2) Decreto 6.614/2008; Decreto 8.597/2015; Resolução 01/2016/CAS.
(3) Portaria Interministerial 842/2007.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

ESCALADA AO MONTE RORAIMA

Crônica de uma aventura ao monte Roraima, por Antônio José Botelho, 56, agora 57.
Durante o segundo semestre de 2015, programamos, eu e o caríssimo Antônio Mesquita, parceiro e companheiro da caminhada até Santigo de Compostela, a escalada ao monte Roraima sob a liderança da Adventures Roraima, firma experiente. Negociamos preços, organizamos a tralha, treinamos, procuramos entender o trajeto, conversamos com o mochileiro França, que já realizou a escalada 3 vezes e que ofereceu um depoimento valiosíssimo, compramos as passagens e apetrechos de tralha complementares, enfim, dia 21.1.2016 estávamos prontos para a aventura. Uma aventura, especialmente para mim, como você, que me lê, constatará até o final desta crônica!
A ansiedade era tanta, que esqueci o casaco corta vento em casa. Meu problema existencial não é de depressão, mas a ansiedade, decorrente por estar com o pé direito no futuro. Aquariano! O Yoga me ajuda a colocar os dois pés no presente. Mas o aprendizado é de longo prazo, e deve ser cumprido sem apego e sem aversão. O problema foi resolvido com a ajuda do mochileiro Wagner, que conhecemos no aeroporto de Boa Vista. Ele, a esposa e a filha de 8 anos retornavam da trilha a Machu Pichu, desde Cuzco. Manauara que adotou Boa Vista, Wagner foi muito generoso, levando-me para comprar um casaco alternativo. Em seguida, tomamos sorvete, papeando com vista para o rio Branco. Depois ainda nos levou para um rápido passeio pela cidade, nos deixando no shopping Roraima, onde lanchamos.
A generosidade já havia sido concedida pelo guia Francisco da Adventure Roraima, que ao fazer nosso traslado, levou-me para sacar dinheiro no autoatendimento do Banco do Brasil, para o pagamento final da aventura in cash. Francisco viria a ser muito presente e importante no momento em que lesionei o joelho esquerdo, conforme ratificarei adiante. De plano, registro a competência da Adventure quanto à organização e logística. O sistema de coleta e de destinação adequadas de resíduos sólidos é bastante responsável, compatível com a ética sustentável, que deveria ser observada e seguida por todos os programas de acesso ao monte Roraima.
Ficamos hospedados no Hotel Aipana, dentro do Programa 3 Nações, onde no dia 22.1.2016 haveria o briefing com o Magno, proprietário da Adventure Roraima. À noite, antes de dormir, o caríssimo Mesquita sugeriu, por recomendação de sua esposa Selma, que pedíssemos permissão, licença, autorização do Universo para realizarmos a escalada sob a proteção dos guias espirituais, especialmente quanto ao ataque de animais (aranhas; cobras; escorpiões), quanto a acidentes e chuvas. Assim o fiz! Cristina, minha esposa, quando disse que havia esquecido o casaco corta vento, que serve também para chuva, assegurou: “Não vai chover! ”. Dito e feito: só garoou no primeiro dia, já no topo. Todos torciam pelo sucesso da aventura; a ricafilha Carolina me disse, quando retornei, que rezou muito. Iza, professora de Yoga, antes de partirmos invocou ao Grande Espírito, para que nos acompanhasse. A ricaneta Maria Clara, na noite anterior, me presentou um canivete da melhor qualidade, que representa uma ferramenta de proteção profana. A proteção espiritual é importante, ainda que Ele esteja sempre presente, em todos os tempos e em todos os lugares, permeando tudo e todos desde além do tempo-espaço. E foi importante para irmos e voltarmos em paz, conforme expressa esta crônica.
Segundo Dia
Acordei cedo para tomar café, fazendo algumas séries de Saudação ao Sol. Tomei banho, fui tomar café. Em seguida, fui passear no hotel, ficando alguns minutos na piscina, observando os passarinhos. Gayatri mantra continuava em minha mente, assim como foi na maior parte do tempo das caminhadas e subida/descida que envolveu a aventura de escalar o monte Roraima.
Após fazer companhia ao Mesquita durante o seu café, fomos para o briefing, que levou cerca de 2 horas com as explanações, explicações e exigências do líder Magno, para que a escalada fosse realizada com prudência e em segurança. Suas orientações, após todos do grupo terem se apresentado, inclusive, relatando suas experiências em trilhas e expondo suas expectativas quanto ao escalar o monte Roraima, foram bastante reforçadas quanto aos pés, atenção quanto aos animais vis a vis mochilas, botas e barracas, com a insolação, e para que evitássemos excessos frente aos riscos envolvidos na escalada, relatando casos de resgate de helicóptero decorrentes de acidentes. Ao final, ofereceram um bolo e um presente, o romance Inia: uma aventura amazônica, de Marcela Marques Monteiro, para os aniversariantes, com direito a ‘parabéns para você’, dentre os quais estava eu, que faria 57 anos dia 31.1.2016. Na manhã do dia 27.1.2016, essa homenagem foi repetida para a Ju, que recebeu de presente um microssapinho preto, característico do monte Roraima. Por oportuno, registre-se que o coaxar dessa população sugeria uma sinfonia, audível com o silêncio. Aliás, no sentido da manutenção de condições auspiciosas, a ordem no monte Roraima é o silêncio. Fiquei satisfeito com a exposição do Magno, que visava, sobretudo, a segurança individual de cada um e coletiva do grupo.
Após o almoço, duas Vans nos levaram para a cidade de Santa Elena, na Venezuela. A viagem foi tranquila e aduana um pouco demorada, mas sem problemas. Após o check in no hotel, saímos para jantar num restaurante chinês, onde chegamos após uma boa caminhada. Observei uma espécie de toque de recolher, na medida em que restaurante fechou conosco dentro às 21 h. Notei, ainda, uma urbanidade decadente, qual a percepção que tive na visita à Havana, em Cuba. Mesmo que Santa Elena não seja capital, anos de recessão e não crescimento econômico implica, necessariamente, em decadência, sob a perspectiva do progresso sociotécnico.
Terceiro Dia
Após o café da manhã, saímos em caravana de 3 jipes em direção à comunidade nativa ­ habitantes autóctones da região; povo indígena pemon ­, para daí seguir caminhando por 13 km até o primeiro acampamento. Nessa comunidade, assinamos na direção local do Parque Nacional de Canaima, a entrada para a grande aventura de escalar – subir e descer – o monte Roraima. Essa comunidade, intitulada paraitepui, fica a 1.473 metros acima do nível do mar. Portanto, o desnível até o topo do monte Roraima é de algo em torno de 1.400 metros, conquistados em 3 estágios, conforme veremos a seguir. Os pemones acreditam que no monte Roraima repousa o espírito do filho de um encontro entre o sol e a lua, ocorrido numa noite rara. Essa sacralidade está ligada ao mito de Makunaima, cuja tradição é passada oralmente através das gerações. Vide a citação sobre Makunaima em Monte Roraima: uma ilha no céu, disponível em http://www.brasilnatural.net/destinos/pdfs/monte_roraima.pdf .
Esse primeiro trecho, diferentemente dos dois seguintes, é praticamente plano. No dia, o realizamos, contudo, sob um sol causticante. Ao chegarmos no acampamento, fomos direto para um banho nas águas super geladas no rio Pedra. Esse banho, junto com o repelente, amenizou as boas vindas dadas pelos mosquitos, bastante naturais nessa região. Esses banhos ficariam ainda mais e mais gelados nas próximas paradas.
Em Boa Vista, durante o briefing, fomos informados do número de nossas barracas. A nossa, minha e do Mesquita, recebeu o número 15. Seria nossa primeira dormida em barraca de toda vida, o que viria a servir de espaço-tempo para um bom aprendizado com a utilização consciente da não-aversão, sustentada com a tolerância pacífica.
As refeições (café; lanche durante as caminhadas; almoço e janta) foram todas da melhor qualidade, saborosas mesmo, considerando as condições de temperatura e pressão. Havia sempre uma combinação de carbo-hidrato com proteína para revigorar as energias. Os lanches eram sempre regados com frutas frescas: melancia, melão, abacaxi e maçã. Eu tinha adicionalmente uma barrinha de proteínas e um sache de mistura de frutas, cereais e legumes. De novo, a logística implementada pela Adventure Roraima amalgamada pela sua equipe sempre atenta tornou a aventura, para um neófito como eu, segura e, até mesmo, minimamente confortável.
Dividimos esse primeiro acampamento com outros grupos que seguiam ou que retornavam para e do monte Roraima. Após o jantar, já com a lanterna de testa, tomada emprestada do genro Armando, nos recolhemos cedo, como seria por toda a aventura, após a preleção do guia líder Francisco, que chamava a atenção para o horário do café e da partida, orientando quanto o que iríamos enfrentar no dia seguinte.
Quarto Dia
Como sempre, saímos cedo entre 7 h e 7 h 30 min. O segundo trecho de aproximação ao monte Roraima foi de cerca de 9 km. Todavia, ao contrário do primeiro, tivemos um estágio do que viria a ser a subida final, de extremo esforço para quem não tem coxas e costas de aço, como os nativos, que parecem deslizar sobre as pedras, tanto subindo quanto descendo, carregando todo o material de apoio, barracas, comidas, e as mochilas contratadas para serem carregadas. Aqui destaco em especial, o nativo Francisco, que carregou a minha mochila principal. Essa capacidade de ir e vir com facilidade ao monte Roraima também já está absorvida pelos guias da Adventure Roraima, que no caso do nosso grupo foram: a Ana, de São Paulo, Francisco, de Boa Vista, e Jésika, da Venezuela.
Fazíamos duas ou três paradas técnicas para descansar. Numa delas comíamos as frutas frescas. Elas eram literalmente servidas, numa mordomia toda especial. Elas caiam realmente como uma luva para revigorar as energias. Assim como no primeiro trecho, parávamos também para tirar fotos. Tirei mais de 300 fotos, na máquina tomada emprestada do genro Germano; na realidade de sua filha, Isadora.
Durante essas paradas e até mesmo durante as caminhadas, subida e descida, íamos aprofundando os contatos, as novas amizades com os integrantes do grupo. O grupo naturalmente se dividia em 3: tinha a turma da frente, dos mais bem preparados; o pessoal intermediário, no qual me encaixei a maioria das vezes; e a turma mais lenta, porém, não menos corajosa e determinada. Eu sempre começava com a turma da frente, mas antes da primeira hora já ficava para trás. Muitas e muitas vezes caminhava sozinho, longe de todos, e até mesmo dos guias. No entanto, nunca solitário, pois estava sempre a mantar o Gayatri, que me acompanhou por toda a aventura ao monte Roraima, e que me acompanhado no caminho ióguico. Trata-se de um mantra espacialíssimo, sagrado e poderoso, que tem tudo a ver com tudo o que estava antes da criação, permanece durante toda a manifestação e continuará presente após a dissolução; sob a proteção d’Ele e meditando n’Ele podemos migrar do irreal para o real. Com Ele tive alguns insights que registrarei adiante.
Dividi o grupo que compôs a escalada ao monte Roraima por profissões: havia o subgrupo de 5 médicos: Dani, cirurgião pediatra; João, neurologista; João psiquiatra, Ju, nutróloga; e Sasha, cirurgião vascular; outro subgrupo era o maior e todos trabalhavam com a terra, fornecendo insumos e gerando produtos; estudaram juntos e estavam se revendo depois de longo tempo: Ana, Bira, Dani, Dudu, Mário e Raquel. Havia dois casais: a Anita e o Alex, franceses; e o Danilo e a Carol, mineiros, especialistas em TI, que fizeram faculdade juntos. Havia, ainda, a Rose, professora de botânica, que fez boa parte da caminha de acesso comigo no pelotão intermediário. Além desses, havia eu e o Mesquita, biólogo. O Mesquita, assim como no caminho até Santiago de Compostela, bem preparado fisicamente, fazia parte do pelotão de frente.
Com o Dudu e o Mário travei prosas sobre coisas sobrenaturais e expectativas espirituais. Esses temas não me cansam, ao contrário, me aninam. Senti muito carinho por parte do João (neurologista), que sempre me incentivava, reconhecendo meu esforço e perseverança. As orientações de Sasha, experiente mochileiro, foram fundamentais para que não viesse a ter bolhas. Fiquei sabendo, nas conversas com a Ju, que ela já praticou Yoga, pelo que, de plano, a incentivei a retornar. Sasha e Ju são casados. Os papos com a guia Ana, mostraram uma pessoa autoconfiante e convicta de seus valores. Foi uma surpresa agradabilíssima dialogar com o guia líder Francisco sobre o professor Milton Santos, acadêmico já falecido de alto quilate, cujos conceitos e ideias consubstanciam parte do meio entendimento sobre o Projeto Zona Franca de Manaus (ZFM).
Quinto Dia
Ao final do segundo trecho da caminhada chegamos ao acampamento base, a partir de onde faríamos a subida final até o topo do monte Roraima, pela entrada topo tepui, passando pela rampa, com trechos de inclinação de até 75º, pelo el carro (maverick) e pelo paso de las lagrimas, vazio tanto na subida quanto na descida em função de que não havia chuva. Essa subida sim seria o teste cardiovascular principal da escalada ao monte Roraima. Seria cerca de 4,5 km de extensão de subida bastante íngreme. Boa parte dela feita com ajuda das mãos, de galhos de árvores e de pedras e rochas. Extenuante, mas a chegada ao topo oportuniza um êxtase todo especial, notadamente para um coronariopata.
Tepui significa, segundo Emilio Pérez & Adrian Warren, em seu Mapa Monte Roraima, primeira edição, 2002:
Tepui é uma palavra de origem pemon que significa Monte ou Montanha. A palavra tepui sozinha é utilizada pelos indígenas da família linguística pemon. Em outras etnias da Amazônia venezuelana se utiliza em seu lugar a ‘Jidi’. Um tepui (plural: tepuis) é um tipo de formação montanhosa, morro ou maciço do Escudo Guianês, com forma de meseta ou não, constituído de rochas sedimentares (arenito, quartzo) e/ou ígneas, que alcançam uma altitude mínima de 1.000 msnm e uma máxima de 3.015 m msnm. Além disso, um tepui apresenta em suas encostas e cumes um clima úmido chuvoso, ecossistemas de média e alta montanha, o que diferencia claramente esse tipo de montanha tropicais, por apresentar uma variedade de comunidades vegetais e animais únicas (endêmicas).
O monte Roraima se localiza nos tepuis orientais, e, juntamente com o Kukenan, são os únicos que possuem rotas de ascensão a pé, os quais já foram também ascendidos com técnicas de escalada em rocha. Portanto, subimos e descemos, a pé, o tepui Roraima, de cerca de 2.800 metros acima do nível do mar, e sua superfície é de aproximadamente de 34,38 km2, segundo Pérez&Warren.
O acampamento base oferecia menores condições de apoio do que o acampamento anterior, onde a comida era preparada num abrigo fixo com cobertura e uma pequena varanda. Já no acampamento base a comida era preparada num abrigo de lona, numa espécie de tenda armada com esse propósito, que passava a ser a base da equipe da Adventure Roraima. Mas nem por isso a comida ficava menos saborosa, apesar das condições não-urbanas, considerando, ainda, a fome e a necessidade de repor as energias.
No acampamento base também tivemos um super banho para lavar as partes num riacho mega gelado.
A subida, como dito, foi uma experiência única, onde lançamos mão de toda nossa energia e atenção. Havia também as paradas técnicas para repor o fôlego e repor a água nos cantis, quando o uso de cloro para purificação algumas vezes é indispensável. Os trechos eram conquistados paulatinamente, os quais recebem seus apelidos, em função do grau de dificuldade: da titia; da vovó. Eu diria que, o último lance, seria o da bisavó, pois íamos praticamente nos arrastando no final da ascensão até o topo, especialmente os menos preparados fisicamente e/ou mais pesados corporalmente.
Sexto Dia
Antes de finalizarmos o 5º dia, após a chegada ao topo do tepui Roraima, fomos tomar banho em banheiras naturais com super mega geladas, alcunhadas de ‘jacuzzis’, que além de anestesiar as dores do corpo, revigora as energias. Nessa caminhada, pegamos o único dia de chuva. Na realidade, uma pequena garoa, conforme já dito.
Após uma caminhada extra de 1,5 km, chegamos ao hotel de infinitas estrelas, onde nos hospedamos por 3 belas noites, dormidas de forma meia sola. De forma incompleta, pois virando para a esquerda e para direita, intermediando em decúbito dorsal, sonecando, acordando, rocando e peitando dentro do saco de dormir. Mas feliz, muito feliz por estar vencendo o desafio auto imposto como coronariopata para conhecer um local auspicioso e de muita energia. Os hotéis ficam em cavernas com parapeitos, que oferecem abrigo do sol, do vento e das chuvas para as barracas. Seu teto, contudo, é o Universo!
O primeiro dia no topo foi tirado para ir até o marco geográfico que registra a fronteira tríplice Brasil-Guiana-Venezuela. Lá deixei com alegria uma bandeira da Pátria, que nos servia durante os jogos da Copa do Mundo. É verdade, usamos muito pouco os símbolos nacionais, e é com eles que construímos a nação, a brasilidade.
Antes do ponto geográfico fronteiriço, tomamos banho em águas puríssimas num poço cuja fonte vem do Vale dos Cristais, que também visitamos. De novo, águas super mega geladas. E mais um belíssimo lugar. Sempre tirando fotos; sempre apreciando as paisagens. Via imagens à toda hora, a representar nomes e formas ancestrais, nas rochas&paredões e nas formações das nuvens. Os cristais simplesmente afloram, apontando para a riqueza mineral que o tepui Roraima ainda deve albergar. No início dessa caminhada, Francisco, o guia líder, considerando as condições climáticas favoráveis, nos levou para um mirante, uma espécie de enseada definida pelos paredões do tepui Roraima, onde as nuvens ficam aprisionadas. Um deslumbre!
Nesse trecho, lesionei o joelho esquerdo. Ao pular um pequeno desnível, ao invés de descer como vinha fazendo, o hiperfleti como que quase fraturando. O core fatigado e o peso da mochila de ataque contribuíram para ampliar o risco da desatenção. Estava confiante, pois tinha superado as caminhadas e a subida. Mas nesse quesito fica o aprendizado: a atenção deve ser permanente! Após o almoço no El Foso, outro lugar especialíssimo, com o corpo frio, o joelho começou realmente a doer. Francisco, o guia líder, foi fundamental na reta final de retorno ao hotel de estrelas infinitas, pois me dava a mão para subir e descer todo desnível que viesse exigir mais do joelho. Apesar do atraso, chegamos primeiro que o grupo, que se perdeu na névoa e na neblina que o tepui Roraima produz permanentemente. O primeiro momento do retorno foi em companhia das guias Ana e Jésika, que igualmente me dedicaram atenção. À Jésika, preocupada com o meu coração, disse que minha mente estava atenta e alerta.
Como resultado perdi o passeio do dia seguinte ao mirante ‘A Janela’, pois precisei ficar de molho, descansando e recuperando para a grande descida. Em troca, ganhei o primeiro rascunho desta crônica, finalizada agora, durante o carnaval. Descansei o corpomente com pequenos momentos de reflexão sobre os acontecimentos e aprendizado decorrente da aventura de escalar o tepui Roraima. Adicionalmente, meditei utilizando o ajapa So Ham, como sempre faço. Este mantra, igualmente sagrado e poderoso, revela Tudo! Aproveitei a oportunidade para organizar minimamente a tralha, já meio que bagunçada. Nessa noite, o jantar me foi servido na barraca, o que demonstra a atenção que a equipe da Adventure Roraima dedica para com seus clientes. Aproveitei, ainda, para iniciar a leitura do romance que ganhei de presente, e que continuo aqui em Manaus. Registro que estava atento ao músculo nobre e com foco nos pés para evitar bolhas, mas foi o joelho esquerdo lesionado que se fez presente. As noites, em geral das 19 às 20 horas, eram desfrutadas contemplando as estrelas, ou papeando sobre as experiências e as vidas de cada qual e de todos numa roda. O frio não era polar e glacial com as águas em que nos banhávamos, mas exigia ceroula, segunda pele e fleece básicos. Um um gorro pegava bem. Entre 5º e 10º à noite; entre de 10º e 15º durante do dia. 
Sétimo Dia
Conforme dito acima, este dia foi todo dedicado a “parar” e ficar sem fazer “nada’. Isso traz um bom significado para o nosso cotidiano, na medida em que é bom parar, não fazer nada e observar os papéis que desempenhamos em nossa existência. Verificar o karma, enquanto lei universal de causação; aquilatar o Dharma, enquanto perspectiva de aproximação com a Ordem cósmica.
Descanso e recuperação, afinal a grande descida iria exigir muito da estrutura esquelético-muscular, notadamente do joelho lesionado. A mente precisaria se manter firme. O coração, tranquilo, especialmente por hospedar o Ser numa forma ordinária perecível-impermanente, mas fundamental e essencial para a realização do autoconhecimento. Neste momento da crônica aproveito para socializar e comentar os insights:
O MUNDO ESPIRITUAL É AINDA MATERIAL MESMO QUE MENOS GROSSEIRO E MAIS SUTIL. PORTANTO, PERMANECE SUBMETIDO AO TEMPO!
Comentário:
Essa é uma afirmação que li em algum texto do Budismo Tibetano. Naquele momento, a ‘ficha não caiu’. Mas, ‘passei o cartão’ contemplando o tepui Roraima, durante os vários momentos em que durante as caminhadas estava só, porém, nunca solitário. Como disse acima, sempre acompanhado do Gayatri mantra.
O insight, para mim, faz todo o sentido, pois a liberdade e a imortalidade, que se realiza com o autoconhecimento, só é possível para além do tempo. O mundo espiritual engendra, ainda, algum espaço. Assim, do ponto de vista do Ser, de Sat-Cit-Ananda, não faz sentido adjetivar por exemplo Luz, de divina, pois Tudo é Um Só! A adjetivação não-profana da Luz, como divina, está associada aos nomes e formas perecíveis e impermanentes. Essa percepção torna mais e mais incompreensível e inaceitável a equação vedantina Atman é idêntico à Brahman. Isso, contudo, não afasta a proteção que recebemos de seres espirituais, que absorveram grande conhecimento e dedicam sua existência não-secular para a iluminação, libertação e salvação de todos os seres.
DO CONFLITO: ESSENCIAL VERSUS NECESSÁRIO VERSUS SUPÉRFLUO
Comentário:
Essas correlações foram pensadas durante a caminhada até Santiago de Compostela, mas foram ratificadas durante a escalada ao tepui Roraima. A busca do supérfluo nos aprisiona na luxúria. Os sistemas de propriedade e de acumulação de bens criados pela humanidade oportuniza a diferença social pela posse, que pode ser expressa pelo conforto e segurança. Nesse mundo de status e títulos, que todos nós buscamos, os sentidos externos estão comandados pelo ego. Nessa dimensão, visamos o futuro para como conformar a manutenção das coisas e bens acumulados, ampliando-os.
A ponte entre os extremos da luxúria e do essencial é o caminho do meio, como plataforma existencial modesta. Uma existência pautada no necessário possibilita espaço-tempo para trabalhar o equilíbrio para a boa qualidade de vida.
O essencial traz consigo, todavia, um grande aprendizado, pois aponta para a sobrevivência. Ele nos afirma no momento presente, no aqui e agora, quando podem aflorar a solidariedade, ao invés da competição do outro extremo. As experiências isoladas, qual escalar o tepui Roraima, realizadas necessariamente fora do mundinho urbano, nos leva a observar de longe os cotidianos intrínsecos associados às posses e aos títulos, portanto, ao status social e econômico, para visualizar o caminho do meio. Idealmente, podemos lançar mão de coisas e bens em excesso, abrindo espaço-tempo para novas energias reparadoras e, sobretudo, transformadoras.
Esta forma ordinária continua no passo da unidade desde quando tomou consciência das rachaduras do tecido social com a leitura da doutrina política anarquista, que aponta para a solidariedade em detrimento da competição econômica: uma casa; um carro; uma conta bancária. Uma experiência civilizatória lastreada pela autogestão, contudo, só poderá ser efetivamente realizada quando os venenos que escondem o Ser no músculo nobre forem extirpados por transmutação: regozijo ao invés de inveja; a compaixão ao invés da ganância, e, sobretudo, o Conhecimento ao invés da ignorância. Até lá, o diálogo karma versus Dharma continua compatível com o atual estágio de evolução espiritual da humanidade.
ENFRENTAR OS DESAFIOS POR APROXIMAÇÕES SUCESSIVAS É UMA BOA ESTRATÉGIA
Comentário:
Muitas e muitas vezes temos que enfrentar, durante nossas vidas, metas, objetivos, projetos complexos e duros. Nunca devemos; nunca deveríamos desistir, a menos que por motivo de força maior. Devemos observa-los, estuda-los e investiga-los, pois aos poucos vamos dominando a questão e sua ambiência.
Ao me deparar, ao me aproximar do tepui Roraima, me perguntava como iria destrinchar a encrenca, o abacaxi da escalada até o topo. Não obstante, à medida da subida em que se dava a ascensão, percebi que de degrau a degrau, passo a passo, o desafio ia se desconstruindo, o paredão ia ficando menor, se encurtando, se estreitando. A grande decisão é dar o primeiro passo, encarando o desafio de frente. E, como num passo único de mágica, lá estava eu: no topo!
Minha consciência sobre a ZFM é resultado de uma observação, de um estudo e de uma investigação que já dura duas décadas. Nesse tempo, consegui transcender sua dimensão de um modelo, de um fim em si, para a de um projeto, de um meio para si, desvendando sua natureza intrínseca, segundo valores do autodesenvolvimento. Suas evidências positivas apontam para um crescimento econômico dependente de vantagens competitivas estáticas, para a atração de capital e tecnologia exógenas. Na lógica capitalista, o que faz sentido é a acumulação de lucros e a apropriação de conhecimento, caso contrário, os cidadãos do local dependente se tornam de segunda categoria.  
A Descida
O sétimo dia foi programado pela Adventure Roraima para a grande descida. A descida representa fazer o segundo e o terceiro trecho de ascensão numa só lapada. Foi bom ter descansado em função da lesão no joelho, do ponto de vista da grande descida. Descer significa exigir muito dos joelhos, os quais seriam protegidos com coxas de aço, o que não é meu caso. Então, me preparei psicologicamente para descer, afirmando positivamente para a mente essa possibilidade e necessidade. Passei a tomar Torsilax de 12 em 12 horas, com o aval do Sasha, e lancei mão de duas joelheiras.
Cheguei ao acampamento base sozinho, após descer a maior parte em companhia da Raquel, que avançou na reta final. Lancei mão da bunda, para escorregar quando o espaço não oferecia galhos e pedras para o suporte. Na oportunidade, muitos mochileiros, de diferentes grupos, subiam, quando percebia o quanto já havia desfrutado do tepui Roraima. Quando cheguei ao acampamento base, lá já estava o pelotão de frente. Em seguida, chegaram todos. Todos buscavam descansar à sombra.
Depois de almoçar, saí no primeiro pelotão, que acompanhei apenas por poucos minutos, ficando para trás, sozinho. Quando estava sozinho, como disse, nunca estava solitário, pois continuava a mantrar o Gayatri. Sempre. Adiante o guia Francisco me fez companhia, avaliando meu estado e orientando o sentido correto do caminho. O sentido da direção era uma só; a margem de erro é muito pequena. Não há desvios. Ainda assim, ao invés de contornar a base de um morrinho, subi, o que exigiu nova descida, ainda que muitíssimo menos extenuante. Mas, poderia ter sido evitado.
Cheguei ao acampamento do rio Kukenan muito lentamente. Passo após passo; sozinho. Todo dolorido; cansado. Imediatamente, fui tomar banho em suas águas hiper geladas. Lá já estavam os mochileiros do pelotão de frente, que comemoraram a minha chegada, parabenizando minha determinação. Foram 16 km desde o hotel estrelas infinitas!
Após o contato com a mochila e com a barraca, tomamos cerveja quente para festejar o avanço. Afinal só faltava o último trecho de 13 km até a comunidade nativa. Cada cerveja valia $ mil pesos bolivarianos, o que representa algo em torno de R$ 5,00, demonstrando a perda do poder aquisitivo da moeda venezuelana. A propósito, o câmbio de R$ 500,00 para pagar o carregamento da mochila principal e para despesas pessoais, exigiu um monte de dinheiro; uma dinheirama.
Como sempre acontecia durante o programa, o guia líder Francisco fazia sua preleção e fomos dormir cedo, após um macarrão com atum. Desta vez, saímos um pouco mais cedo, antes do sol nascer, para evitar insolação. A previsão era chegar antes das 10 h, com 4 horas de caminhada. Minha caminhada nesse último trecho foi propositalmente lenta e sempre atenta. O realizei sem grandes dores e sofrimento, como aconteceu no momento da lesão no joelho esquerdo, na visita ao marco fronteiriço, e na grande descida, no dia anterior. A maior parte do trecho foi realizado com a Deni (cirurgiã pediatra), com quem ratifiquei o insight do essencial abortar no aqui e agora. Deni foi uma guerreira, pois me confessou que foi a primeira grande trilha finalizada. Ou seja, as duas outras experiências negativas não foram suficientes para faze-la desistir. Nunca. Sempre que possível avançar. Essa é a Ordem. Estamos condenados à liberdade e à imortalidade!
Registro especial para a outra Dani (agrônoma), que fez esse último trecho de chinelo, em função das múltiplas bolhas que seus pés fizeram. Outra heroína! Observei também que o João (neurologista) também fez bolhas, o que provocou algumas vezes deixar o pelotão de frente. Sempre resistindo; nunca reclamando, venceu a escalada ao tepui Roraima. Todos, cada qual ao seu modo, vencemos!
Enfim, chegamos na comunidade nativa, assinamos o ponto de saída do Parque Nacional Canaíma, assim como fizemos no início, pela entrada. Tomamos cerveja, agora gelada para comemorar o sucesso da aventura de escalar o tepui Roraima. No total, foram cerca de 80 km. Tiramos uma bela foto com todos os guias e nativos de apoio, inclusive o Francisco, que carregou minha mochila principal e que foi presenteado com a minha mochila de ataque, uma calça de poliamida e uma papete e outros coisas e apetrechos menores.
Após almoçarmos na localidade São Francisco, onde comprei uma pedra para a Cristina, para mim e para o Dudu, uma corujinha de arenito para a coleção da ricaneta Maria Clara e uma lembrança, um pequeno artesanato também em arenito da Gran Savana, para um amigo, deu-se a viagem para Boa Vista. A aduana se processou sem maiores problemas, salvo as influências de uma cultura que nega o coletivo, conforme observou e protestou o Sasha. Jantei no hotel mesmo, limpei a mochila e as botas. Dormi. Ao acordar fui tomar café e nadar. Em seguida a um papo cabeça com o Mesquita, fui ao shopping Páteo comprar presentes para as ricanetas. No aeroporto, comprei camisetas para os genros; da senhora idosa, super gentil, que me atendeu, ganhei bombons de chocolates, que ofereci para as ricafilhas, e um pequeno artesanato de Boa Vista, que dediquei para a Tainara, colega da Suframa, que me forneceu o contato com o Magno. No voo, vieram, ainda, o Danilo e Carol, que receberam carona do Mesquita. No aeroporto, a Cristina e a ricaneta Maria Clara me aguardavam. A vida, agora, volta seu curso normal, com um cotidiano a ser reconstruído a partir do aprendizado e do conhecimento acumulados e oferecidos pelo tepui Roraima. Que assim seja!

Nota: A tralha foi basicamente a mesma da de Santiago de Compostela, adicionada de 3 camisas de manga comprida com proteção solar, que se mostraram bastante úteis, dois jogos de calções e camisetas de ginástica de poliamida e uma ceroula de algodão, aproveitando o jogo do carregamento contratado associado ao uso de uma mochila de ataque. Usei tudo que levei, à exceção de uma segunda pele, para o frio, que se mostrou em excesso. Muito útil se mostrou a agulha e os compeed para drenar e sarar as bolhas dos mochileiros. Nessa escalada, se extraviou dois cuecões de poliamida, o que é de somenos, qual a lesão no joelho, frente aos benefícios existenciais conquistados. Mas, fica o registro, como alerta, para os aventureiros. Custo da aventura? Se você, que me lê, não mora em Boa Vista, como eu; se já tem tralha, como eu tinha; e, se pretende utilizar carregador para levar sua mochila principal, como eu fiz, reserve cerca de R$ 3,5 mil. Se for econômico, capaz de voltar com alguma sobra!
Apêndice:

Meu comentário ao post do Mesquita em seu mural no facebook, compartilhado em meu mural, que bombou na grande rede:

Grande escalada de superação cardiovascular e aproximação espiritual. Joelhos estourados de somenos. Obrigado caro Mesquita pela parceria e companhia. Lugar especialíssimo do planeta Terra. Luz!

Meu comentário em meu post no meu mural do facebook:

Caríssimos amigos facebookianos. Passada a emoção, superada a lesão no joelho esquerdo, já no convívio familiar e de retorno ao trabalho, socializo algumas imagens da aventura de escalar o monte Roraima. Experiência espetacular e indescritível! Para além de descobrir que esta forma ordinária está com boa saúde física e mental (não deu um espirro, mesmo lavando as partes em águas super mega hiper geladas; não sentiu uma dor de barriga, mesmo comendo comidas preparadas fora das condições urbanas; não teve nenhuma alergia, mesmo em contato explícito com a natureza; não teve nenhum pânico em relação ao desafio e às condições socioambientais e ainda superou o medo da doença - lesões nas coronárias - e até mesmo o medo da morte, consciente da impermanência dos nomes e das formas), ainda teve oportunidade de fazer aproximações espirituais, aprendendo e expandindo o autoconhecimento. Shakti foi extremamente generosa oferecendo dias ensolarados e mantendo afastadas do grupo as aranhas, os escorpiões e as cobras, sem falar da proteção contra as fraturas expostas e acidentes mais sérios, possíveis nesse ambiente de risco de acesso a um local dos mais antigos deste planeta Terra. Todos podem realizar essa aventura; basta se preparar física e mentalmente e estar com boa saúde. Vale a pena! Luz!

Cronograma da aventura:

21.1.2016
Viagem para Manaus/Boa Vista
22.1.2016
Viagem Boa Vista/Santa Elena, na Venezuela
23.1.2016
Viagem para a comunidade nativa. Caminhada até o primeiro acampamento no rio Pedra
24.1.2016
Caminhada até o acampamento base.
25.1.2016
Subida ao topo do monte Roraima. Caminhada até as “jacuzzis”, para tomar banho. Caminhada até o hotel de estrelas infinitas
26.1.2016
Caminhada até o ponto geográfico da fronteira tríplice, passando pelo Vale dos Cristais, onde tomamos banho, e almoçando no Poço
27.1.2016
Descanso e recuperação em função da lesão do joelho esquerdo. Parte do grupo foi a um mirante chamado “A Janela”
28.1.2016
Descida até o primeiro acampamento no rio Kukenan
29.1.2016
Caminhada final até a comunidade nativa. Viagem para Boa Vista
30.1.2016
Viagem Boa Vista/Manaus


Nota Final: Dia 31.1.2016, como dito acima, esta forma ordinária fez 57 anos!