31/01/2026

AGORA, YOGA!

 

Agora é tempo de Yoga VI[1]

Grupo de Posturas em Solo&Relaxamento.[2]

Significados&Significações para Assentamentos no Espaço Interno&Subjetivo.[3]

Para albergar esse grupo de três posturas, paschimottanasana, purvottanasana e shavasana, o professor Carlos Eduardo argumentou&comentou o ásana na Bhagavadgita (BG).

O ásana/postura na BG expressa o modo antigo de praticar Yoga, exatamente como nas grandes Upanishads e depois no Yoga Sutras. A ideia é identificar o guru que está presente no próprio coração. O sexto capítulo, nos versos 11 a 15, traz a orientação dada por Krishna à Arjuna. O ásana/postura, ou melhor assento&assentamento, deve estar voltado para o si mesmo a partir do si mesmo. Ou seja, o ponto de chegada e o de partida do processo meditativo verdadeiro são os mesmos, isto é, um só! Dito objetivamente, o ásana/postura é construído a partir de conteúdos internos&subjetivos, dos mais simples aos mais nobres. Idealmente, devem expressar valores&princípios que dão&oferecem sustentação à existência, à vida! Essa estrutura viabiliza&oportuniza atitudes&iniciativas acertadas&corretas. Essa adequação&correção, claro, deve estar de acordo com a nossa própria natureza. Krishna ensina na BG que é melhor cumprir nossa Dharma pessoal com imperfeição do que com perfeição o do alheio&terceiro. Isso é muito importante assimilar, pois a orientação verdadeira não é externa&objetiva. Neste sentido, o processo meditativo é a chave de ouro para acessar o divino&sagrado, que consta em nosso inconsciente, melhor dizendo, em nosso coração.

No Yoga, especificamente, o assento&assentamento deve proporcionar&propiciar conforto&firmeza, conforme já anunciado lá atrás. Na Índia, houve um grande yogin que se chamava Swami Sarveshvara, considerado um avadhuta, título dado ao renunciante natha. Foi um homem feliz, iluminado, cujo sorriso proporcionava ao devoto uma experiência mística. O que havia de excepcional? É que era um mestre cotoco; sem braços&pernas, que perdeu para a lepra. Não obstante, era um grande mestre, apesar de um homem aleijado. Era, na verdade, um iluminado. Essa situação&condição prova que é possível libertar o espírito por meio de uma prática coerente, com coerência interna&subjetiva. Portanto, o Yoga é para todos! Apesar de todos os ásanas/posturas facilitarem esse processo de autorrealização, o alcance da Yoga é, realmente, interno.

Em todo ásana/postura, adequada&corretamente praticado&executado, o objetivo supremo é encontrar o verdadeiro tesouro verdadeiro (a dobradinha é possível&necessária; não há redundância), que está oculto nas profundezas do coração. Sua manifestação é expressa na forma de alegria&felicidade. O segredo é assentar no espaço interno&subjetivo, fazendo do assentamento uma plataforma de liberação&libertação! Isso é possível&viável para todos, qualquer que seja a conjuntura&conjunção de forças favoráveis&desfavoráveis. O esforço, contudo, deve ser contínuo&diligente! Todavia, sempre podemos contar com a graça&benção&glória! Na realidade, só acontece com as mãos Dele!

Agora, paschimottanasana!

Paschima significa está atrás e/ou vem depois, desde uttan e/ou tana, de paschimottana e/ou paschimatana. Ou seja, estender parte para trás, atrás, promovendo um alongamento. Mas, é só isto? Não! Este ásana/postura tem um sentido (significado&significação) mítico&místico muito forte&poderoso! Pode-se visualizar&imaginando ou imaginar&visualizando o espaço circular, abrindo os braços, sentado, definindo as quatro direções básicas: mão direita aponta para o Sul; a mão esquerda para o Norte; a frente para o Leste; e as costas para o Oeste. Pronto, estamos no espaço interno&subjetivo, sobretudo, sagrado&divino! Como assim? É que o salto desde a vigília é quântico&tântrico!

Em seguida, uma ilustração da sua posição final.

Caixa de Texto: Paschima é o Oeste, isto é, estendido para trás. Os rituais são realizados de frente para o leste, onde o sol nasce. Lá, em ritual, podemos oferecer o próprio Conhecimento como oferenda mais nobre!Uma imagem contendo mulher, deitado, dama, foto

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Continuando... Varuna é o deus do reino das sombras, presidindo o Oeste. O brilho das estrelas acontece na escuridão, nas trevas, que ocultam&protegem. Ou seja, esse cenário não é, necessariamente, ruim. O aspecto negativo se manifesta só se estivermos em desarmonia. Neste caso, aprisionam&assustam a mente! Por outro lado, se estivermos animado&motivado pela nossa natureza, o escopo mítico&místico das estrelas brilhando&iluminando se torna nosso inconsciente, donde brota nossa intuição vertida ao Dharma, ao nosso Dharma.

Num sentido amplo, paschimottanasana aponta para uma dualidade a ser superada, pois se, por um lado, aponta para as águas cósmicas de Varuna, enquanto forças de proteção do inconsciente, por outro lado, podem representar prisão&opressão pelas trevas&escuridão. Pictoriamente, o passado pode ser um passado que nos acossa&persegue, cheio de mentiras&falsidades. Esse alicerce do presente&futuro deve ser questionado&superado, ou seja, é necessário remover&estirpar o falso&mal do passado. Quando lidamos&operarmos adequadamente com o passado – observe-se que ele já não existe − processamos uma purificação, abrindo as portas para a proteção que o inconsciente pode nos dar&oferecer.

Mirando o Leste, em forma ritual, na posição final de paschimottanasana, podemos apontar para a libertação&liberação com&via moksha. Este ásana, assentado no espaço interno&subjetivo, apresenta um significado&significação de purificação do nosso passado, reativando&autolembrando nossa natureza verdadeira. Podemos&devemos mirar&focar nas transformações de coisas ruins em coisas boas, com a ajuda&apoio de Varuna, o guardião da Verdade!

Agora, purvottanasana, que faz um par perfeito com paschimottanasana!

Vejam, adiante, a visão da sua posição final.

 

Caixa de Texto: Purvo significa anterior, no sentido do que está na frente, isto é, é o que veio antes, porém ficou para trás, no passado.

Mulher de roupa preta em fundo branco

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Podemos, ainda, atribuir dois sentidos: um espacial, para frente; outro temporal, para trás. Nossa, como assim? É o que veremos, com calma&tranquilidade; sem correria&pressa.

Purvottanasana aponta para a direção Leste, assim como paschimottanasana. No Leste, estão Surya&Indra.[4] O ásana/postura traz a possibilidade&oportunidade de despertar uma consciência máxima, por meio dos órgãos da chamados de indriyani, literalmente, subalternos a Indra. Portanto, o alongamento em direção ao nascer do Sol desperta a consciência, trazendo clareza ao estado de vigília.

Há, ainda, a percepção mitológica da internacionalização do ritual védico por meio da prática de hathayoga, na medida em que podemos transcender, no sentido Oeste → Leste, do inconsciente para consciente; da mortalidade para a imortalidade. Ou seja, podemos&devemos atingir moksha no momento&instante presente, num aqui&agora.

Aqui, Savita, o Sol noturno, está mais uma vez presente como um agente ritual importante.[5] É que Ele é o patrono do ritual do Soma, cuja extração representa&aponta a força de ascensão latente nos vegetais. Nessa beberagem, para Indra se elevar, junto ao sacrifício do bode, a mente está representada, pois é ela que, objetivamente, deve se iluminar. De novo, igualmente, kundalini pode se manifestar, na forma tântrica. O Soma arrasta os três componentes importantes da nossa existência: cit (consciência); ojas (vigor); e vach (voz; expressividade), conformando-os. Ou seja, o Prana ascendente viabiliza&disponibiliza as forças internas, exatamente, numa leitura tântrica. A ascensão atinge o anahata, cujas oito pétalas, apontam para os 8 poderes de Shiva, fechando o assento&assentamento, como uma árvore que atende aos desejos mais puros&verdadeiros.[6] Esse é o que purvottanasana oferece&doa para o yogin assentado, com seus significados&significações, no espaço interno&subjetivo, mítico&místico, sagrado&divino do coração!

Agora, shavasana, um diálogo com a morte, na forma de um relaxamento!

Abaixo, ilustro uma visão da sua posição final.

Caixa de Texto: É o ásana do cadáver! Oportuniza relaxamento, tensionando com a morte. A raiz shvi aponta para dois caminhos: um maligno, outro benigno.Mulher deitada no chão

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Como assim? É que uma leitura sinaliza para o crescimento; outra para o murchamento. Ou seja, o indivíduo&sujeito pode enxergar sua existência de forma positivo ou negativa. Podemos, sobretudo, devemos lutar para crescer, para evoluir! Vamos destrinchar essa ideia.

A única certeza que temos é a morte; então, que possamos mentalizar&visualizar um futuro otimista. Ou seja, devemos buscar&intentar um amanhã melhor, com saúde&sabedoria! Ou podemos murchar&desanimar, o que obstaculiza&dificulta até a autolembrança&autorrealização. Não podemos permitir que o tumor da malignidade&lesividade prospere, o que, certamente, seria péssimo&ruim. Portanto, na postura do cadáver podemos nascer novamente para a vida; assim como devemos transcender da mortalidade para a imortalidade. A ideia é construir uma boa morte, acumulando bons méritos; desfrutar de um bom futuro, vivendo&morrendo bem. Podemos contar com Shiva nesse processo de dialogar com a morte em shavasana. Especialmente com Shiva, em sua benignidade&magnificência, despertando as forças&poderes Dele dentro de nós, que podem ser controladas em nosso benefício&proveito. As forças fora de nós não podem ser controladas, e podem nos destruir.

Há, ainda, para explorar esta temática&tema, o famoso diálogo da Katha Upanishad, na conversa de Nachiketas com Yama, o deus da morte. Nele é revelado o segredo da morte, que também se apresenta com dois caminhos: um é o supremo, o caminho da felicidade, da sabedoria, da imortalidade, etecetera; outro é o da escravidão aos desejos, via desfrute dos prazeres finitos&temporários, com presença da ignorância, que leva às mortes sucessivas&intermináveis. Há uma passagem esclarecedora&iluminadora: aquele que pensa que mata, se engana; aquele que pensa que morre, se engana; porque&pois o Atman é imortal; é Luz Eterna! É o Eu dentro do coração, maior do que o maior e menor do que o menor! Portanto, a opção deve ser clara pela liberação&libertação, por moksha! Assentado, o yogin vai a todos os lugares; deitado, em shavasana, o yogin percorre o mundo inteiro! Isso é autorrealização&autolembrança com Atman, que é OM, que vibra em&por todo o universo, com a dança de Shiva!

Já que citamos OM, podemos afiançar, que em shavasana, superamos dualidades: ignorância versus sabedoria, leveza versus peso; crescimento versus recolhimento, etecetera. Visualizando um yantra expressando dualidades, podemos perceber que quanto mais miramos o centro mais de amplia as coisas&eventos contrários&opostos, e, ao contrário, quanto mais nos afastamos mais nos aproximamos do bindu. Shavasana, desta forma, é um ásana importante, na medida em que podemos transcender a morte, em processo de autotransformação, viabilizando&alcançando o melhor, como morrer para nascer livre das limitações dos pares de opostos. E isso acontece no espaço interno&subjetivo, quando optamos sermos eternos&imortais que já somos, ao invés de nos impor limites.

Shavasana, assim, é uma trilha de libertação! Para se obter liberdade é preciso, simbolicamente, morrer, para soltar as amarras e viver a Verdade, com sabedoria&autoconhecimento, superando a ignorância lastreada pela mentira&falsidade, mas para além do Dharma&adharma. É o encontro com a autenticidade, a marca registrada da nossa natureza autêntica&original. Objetivamente, viver com coerência&sinceridade.

Assentados na posição final de shavasana, absolutamente relaxados, podemos visitar todos esses significados&significações no espaço mítico&místico&mágico do coração!



[1] Por Antônio José Botelho.

[2] Sínteses ajustadas&alinhadas&assentadas aos comentários do curso A Mitologia dos Asanas, promovido pela sancritforum.org, sob a inspiração de Carlos Eduardo Barbosa.

[3] Este é o título do livro que albergará, dentre outras compilações, esta síntese.

[4] No segundo projeto editorial que produzi com base nos cursos do professor Carlos Eduardo, de louvores&oferendas&petições, na forma de meditação em hinos do Rigveda, aloquei Indra no Norte, junto com Kali. E deixei, no Leste Surya&Durga, que tem me trazido conforto&estabilidade. Esse arranjo&disposição surgiu da incapacidade&incompetência deste autor de caracterizar&descrever os atributos&hinos em homenagem ao deus Kubera, que, por pressuposto, não criou aversão, muito menos me incriminou. Kubera é o deus da riqueza. Então, adotei moksha como o maior tesouro, sob a proteção de Indra, rumo ao Norte, num futuro próximo, ainda nesta existência, se assim o Universo&Infinito permitirem!

[5] Tat Savitur varenyam, bhargo devasya dhimahi, dhiyo yo nah prachodayat!

[6] Os oito poderes de Shiva são: de redução do tamanho do corpo; de expandir o corpo; de se tornar pesado; de se tornar leve; de acessar&obter qualquer lugar&objeto; de realizar qualquer desejo; sobre a criação&destruição; e, controlar&submeter seres&coisas.

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