25/11/2025

Carta Aberta ao Brasil

Manaus, 25 de novembro de 2025

Brasileiras&Brasileiros!

Assunto: Liberdade&independência, via conhecimento!

Cresci sendo induzido e incentivado a estudar. Assim, passei a acreditar que o conhecimento é a melhor forma de acessar o mercado e melhorar a qualidade de vida. Portanto, minhas condições objetivas de existência, desde a primeira infância até agora na segunda adolescência, têm sido medianas, ou seja, não nasci em berço de ouro, mas não me faltaram escolas e livros. E essa disponibilidade transitou, num sentido amplo, numa linha do tempo que veio desde uma ditadura, vivida sem consciência, até a presente configuração social pátria e mátria, consubstanciada por uma democracia necessária e possível.

Mesmo os riquinhos devem estudar para manter e ampliar os negócios. Porém, tem os de fora da curva, tanto para cima, que fazem fortunas, quanto os debaixo, que perdem todo o patrimônio. Os pobres podem até dar sorte no mercado, comprando e vendendo, e se safar da dura e cruel sobrevivência. Contudo, com conhecimento é mais seguro progredir e evoluir.

O modo capitalista de organizar a sociedade tem basicamente três estratégias de entrar o mercado:

1. Comprando e vendendo mercadorias. Comércio; a forma básica de fazer a roda da economia girar;

2. Transformando insumos em produtos. Indústria; atividade humana que tem oportunizado ao mercado produtos cada vez mais tecnológicos e inovativos;

3. Vendendo a força de trabalho. No meu caso, vendi, majoritariamente, ao estado brasileiro, como pequeno burguês – conceito integrante da teoria marxista do materialismo histórico; servidor público que serve a sociedade por meio do estado democrático de direito. Não obstante, a força de trabalho pode ser vendida de inúmeras formas, indo desde as atividades de cortadores de cana de açucar até os CEOs de grandes firmas globais, passando por professores, que instruem, e cientistas, que investigam. Esta maneira de ganhar dinheiro também contém o que normal e convencionalmente se categoriza como serviços, na forma de prestação e de prestadores.

As três, com certeza, rodam melhor com conhecimento, que deve ser retroalimentado com atualizações e, sobretudo, com experiência. Só assim conseguimos pagar as contas e viver com liberdade e independência na ordem capitalista da competição e acumulação, para apropriar e consumir. O desafio civilizatório de trazer bilhões de seres humanos miseráveis e pobres para o mercado de trabalho e de consumo é colossal e hercúleo. No Brasil, ainda somos milhões e milhões às margens das escolas e faculdades e distantes do mercado e do consumo.

Apesar de acreditar que o processo civilizatório está numa transição, está em transformação e que, talvez apenas talvez, minhas netas irão viver num mundo minimalista, onde menos vale mais, nunca o conhecimento será de somenos e trivial! É bom registrar que não falo de profissões, que igualmente estão em transformação com a IA, mas de conhecimento como lastro existencial! Ainda que essa bolha delirante corra risco de estourar, segundo especialistas, neste tempo futuro, coisas, eventos e relações terão pesos e medidas diferentes das atuais. Conhecimento é conhecimento, ponto final!

E isso tudo só acontece sob a batuta do instituto estado, cuja possibilidade de superação é, até o momento, inimaginável e insondável, para o atual estágio espiritual do homem, que segue bruto e ignorante. A perspectiva da liberdade libertária e da solidariedade econômica continua velada e oculta para a humanidade. Quem sabe não chegue o tempo de cooperar ao invés de competir, de contribuir ano lugar de consumir!? No limite, numa perspectiva espiritual, a ignorância só será dissipada e zerada completamente com o autoconhecimento. Todavia, essa é outra história...

Isto posto, viva o estado democrático de direito! Minha reverência e respeito a quem zela e aprimora a democracia. Os regimes de exceção, tanto à direita quanto à esquerda, são excrescências ao estado moderno. Marchar para a extrema direita, com o autoritarismo, ou revolucionar à extrema esquerda, com o totalitarismo, deveria ser letra morta frente às mudanças e emergência climáticas. Idealmente, todos os estados nacionais deveriam apontar para a frente, para o desenvolvimento sustentável, para a ética sustentável.

Para tanto, todos os esforços deveriam ser investidos na educação e instrução, do nível fundamental ao superior, passando pelo médio, enquanto estratégia de liberdade e independência para todos e para todas. Neste diapasão, recursos para a guerra, e mesmo para a defesa, seriam, socialmente, redirecionados. Quiçá, oxalá cada vez mais com aprofundamentos e especializações, gerando ciência para tomadas de decisões acertadas e adequadas. Nessa configuração, ou seja, sem negacionismos, o conhecimento evitaria desvios e catástrofes. Simples assim!

Que o Brasil possa oferecer e manter educação e instrução para todas as brasileiras e para todos os brasileiros!

SigamosemPaz!

SempreLuz! Antônio José Botelho.

Nota 1: a ideia de velar o momento histórico do trânsito em julgado não possui abordagem individual, até porque o dedo em riste já está com o peso constitucional e a medida jurídica legal e legítima, mas abraçar a sociedade numa dimensão coletiva, que segue salvaguardada pelo estado democrático de direito, lastreado pela constituição federal em vigor, que visa superar o conservadorismo e autoritarismo colonial e imperial, ainda presente nas décadas republicanas subsequentes, na forma de concentração de renda e de terras, cujas inflexões não foram de baixo para cima, isto é, a partir do povo para a nação, mas decorrentes de movimentos comandados pelas elites, que impõem desde então desigualdades sociais, que devem ser removidas com políticas progressistas! O parágrafo longo aponta para uma dada prolixidade. Porém, a ideia é essa mesma, a expressar a complexidade da formação de uma brasilidade justa e equânime. Luz! Antônio.

Nota 2: a finalização do devido processo legal foi chancelado e sacramentado pela segunda turma de juízes da suprema corte do país em 26.11.2025. Luz! Antônio.

Nota 3: esta manifestação complementa e, ao mesmo tempo, é complementada com a reflexão intitulada Sobre política&ideologia: Sinais Autoritários, de 18/19.10.2025, atachada abaixo nesta plataforma Blogger. Luz! Antônio.

20/11/2025

EM PROL DAS AMAZONIDADES!

 Desenvolvimento Libertário: uma fórmula política para Manaus[1]

 

E

laboro essa reflexão com o propósito de, mais uma vez, contribuir para o capital social de Manaus. A ideia fundamental é associar o conceito de liberdade libertária vinculado à teoria anarquista com a possibilidade de se criar um desenvolvimento mínimo e adequadamente autônomo na esteira das amazonidades vertidas à lógica da sustentabilidade. Ou seja, adotar politicamente um ideário de desenvolvimento para todos os locais da Amazônia a partir de sua individualidade diferencial frente à sua dependência com relação ao capital e à tecnologia de outros locais nacionais e internacionais mais “avançados” industrial e tecnologicamente falando.

Para tanto, inicio com o que utilizei de Roberto Freire e Fausto Brito para tentar conceituar liberdade libertária na minha brochura Toques Anarquistas: contribuição para uma visão de mundo alternativa, publicada no Rio de Janeiro em segunda edição, em 2007, pela Editora Achiamé e lançado em Manaus em dezembro, no Chapéu de Zinco da Associação dos Moradores do Bairro de Petrópolis (Somap).

Peço que mais-do-que-leiam, na verdade sintam, para continuarmos no meu raciocínio. Peço que aceitem a associação entre indivíduos, tomados na concei­tuação abaixo, com a figura política de espaços nacionais, cujo desenvolvimento é obtido com a ação de firmas locais inseridas em ambientes inovadores. No caso, tomo a espécie humana, enquanto categoria de indivíduos, como equivalente a Manaus, cuja industrialização se dá com o Projeto ZFM, sendo sua maior expressão de evidência o Polo Industrial de Manaus [PIM]. A nota de rodapé da página 32 do Toques Anarquistas está assim, já adaptando ao presente propósito:

 

Não é fácil escapar do modo de pensar capitalista, ao qual nós estamos sujeitos, para arriscar uma pequena definição conceitual do que se poderia entender por liberdade libertária.

De toda sorte, entendo que ela está estreitamente vinculada à questão da individualidade diferencial de cada um em relação a si mesmo e a todos, no sentido de explorá-la positivamente, de buscar a evasão da opressão e da alienação determinadas por aquele modo de pensar. Roberto Freire e Fausto Brito, no livro "Paixão & Utopia: a política do cotidiano", editado pela Guanabara Koogan, no Rio de Janeiro, em 1991, desenvolveu [página 37] assim a ideia do que denominei individualidade diferencial:

... o que importa é a diferença que resta: o original e único em cada um. A sociedade tradicionalista conservadora e burguesa-capitalista e a socialista-burocrática procuram e querem da pessoa a sua semelhança com as outras. Porque isso a torna mais fácil de ser controlada. E renegam, condenam, excluem, caçam e destroem a diferença. Acontece que, na verdade, cada um é mesmo a diferença: somos essencialmente o que faz nossa originalidade biológica e humana.

Então, ser livre é poder viver ampla e irrestritamente as próprias originalidades únicas, as nossas diferenças. Como? Fundamentalmente, no jeito de amar e de criar. E é exatamente sobre o jeito de amar e de criar de cada um que se exerce a repressão autoritária, o controle social, a favor das semelhanças e pela massificação da média [sinônimo ao mesmo tempo de ninguém e de todos].

Enfim, a liberdade consiste em não se submeter aos obstáculos, à autorregulação espontânea. Consiste em superar a tudo e todos que, unidos e fortes, procuram impedir o exercício das potencialidades espontaneamente revolucionárias em todas as pessoas.

 

É, portanto, como se imaginássemos duas frações matemáticas em que a primeira fosse infinitamente superior do que a segunda relativamente à liberdade libertária. Nesse sentido, o numerador da primeira seriam as diferenças [amazonidades] e o denominador, o somatório das diferenças e semelhanças [amazonidades + PIM] de e para cada ser humano; o numerador da segunda seriam as semelhanças [PIM] sobre o mesmo denominador. Assim,

 

Diferenças

------------------------------------------

(Diferenças + Semelhanças)

 

> > > >.........

Semelhanças

------------------------------------------

(Diferenças + Semelhanças)

 

É com base nessa função matemática que peço que reflitam sobre a fração abaixo (imagine-a), que chamo de desenvolvimento libertário associando-o à lógica de uma perspectiva de liberdade libertária. Faço a simulação, adotando como numerador a potencialidade AMAZONIDADES e como denominador a evidência ECONOMIA DE ENCLAVE INDUSTRIAL, o PIM em transformação para um ambiente construído de vantagens competitivas dinâmicas valorizando, privilegiando AMAZONIDADES, em superação à simples lógica da atração de investimentos a partir da oferta de vantagens competitivas estáticas.

As setas para cima (imagine-as), tanto no denominador, quanto especialmente no numerador, indica que aqui não se trata de negar o Projeto ZFM, mas de tratar suas contradições internas de frente, com vistas a um determinado futuro desejado e normativo, no sentido de não só apenas exploratório, como reflete o discurso e a prática política local, regional e nacional, ao gastar mais energia, expressa em tempo, dinheiro e inteligência com a manutenção de vantagens competitivas estáticas com que a construção de vantagens competitivas dinâmicas. Ao adotar, enfim, o Projeto ZFM como um fim em si mesmo, ao invés de um meio para as transformações social, econômica e política de Manaus e dos locais amazônicos. Observe-se que a seta para cima no denominador, aponta, inclusive, para esse rumo normativo. A seta maior (imagine-a), totalizada integralmente pelo resultado da fórmula, sinaliza a liberdade política e a independência econômica de Manaus, ou de qualquer local amazônico.


Amazonidades: Transformação de insumos e saberes da floresta amazônica em produtos (bens e serviços) e processos realizáveis ou realizados no mercado - sentido econômico - resultante da aplicação de capital local (empreendedorismo) combinada com tecnologia limpa e endógena - sentido ideológico - condicionada por e ao mesmo tempo condicionando uma sustentabilidade socioética-ambiental-ecológica - sentido civilizatório. Vide uso em "Redesenhando o Projeto ZFM: um estado de alerta!". O ideário, vertido à construção da liberdade política e independência econômica da Amazônia e imanente à lógica do desenvolvimento sustentável, também pode ser encontrado nas reflexões de Armando Mendes e Ozório Fonseca. 14:19, 21 maio 2007 (UTC) Antônio José Botelho.

Economia de Enclave (industrial): economia posta em um espaço subperiférico entendida como toda aquela que roda com capital e tecnologia exógenos, atraídos mediante vantagens competitivas estáticas (fundamentalmente incentivos fiscais), onde os lucros retornam aos donos do capital residentes em outras plagas e a tecnologia do chão de fábrica é inteiramente assimétrica com o chão da academia local, constituindo a passagem para uma economia autossustentada a construção de vantagens competitivas dinâmicas que oportunizarão não só a consolidação das firmas existentes mas, sobretudo, o desenvolvimento do empreendedorismo local a partir da emergência de empresas de base tecnológica, cujos produtos e processos estabeleçam sintonia com os insumos, os saberes e a cultura local (amazonidades para o caso dos locais do chão amazônico), enquanto estratégica de inserção positiva e inteligente no contexto da globalização contemporânea, assegurado o consumo local. O termo pode ser encontrado em "Redesenhando o Projeto ZFM: um estado de alerta!". 13:47, 22 maio 2007 (UTC) Antônio José Botelho.


 

Tomem como pressuposto dessa perspectiva o fato de que a organização planetária é estruturada em Estados nacionais e que seu sistema econômico dominante é o capitalista, o qual, que por sua vez, tem no capital seu vetor principal de propriedade privada e na tecnologia sua mercadoria mais nobre [igualmente utilizada como propriedade privada].

Tomem também como pressuposto que a soberania, transcendendo à dualidade absoluta e relativa, é resultante não só mais do poder político sobre o território, mas igual e complementarmente da forma como os capitais sociais dos locais se arranjam em função da produção e distribuição dos produtos e serviços que servem às suas respectivas sociedades. Os resultados econômicos dessa ambiência de empreendedorismo impregnada da cultura da inovação e do crédito adequado, em última análise, devem ganhar o mundo.

Nessa esteira de raciocínio, não consigo entender a Amazônia soberana somente pela atração de investimentos. Aqui tem nada de xenofobismo, mas da elevação ao orgulho legítimo pela construção do desenvolvimento com liberdade política e independência econômica. Esse orgulho se manifestaria, sobretudo, pela emergência de firmas com capital e tecnologia local. Não se tem como comparar a produção high tech PIM, em si mesma perfeitamente mensurável, com as amazonidades enquanto potência. Claro que não, mas não se trata de metrificar e sim, de criar amazonidades.

Assim, seria como na lógica metafísica profano-divino, associando-a, respectivamente, ao manifesto [produção high tech] e ao imanifesto [amazonidades]. Isto é, devemos buscar a transcendência dentro do conteúdo da matéria, transformando em concretude as amazonidades.

Essa transcendência dentro da natureza material e política da dimensão manifesta dos homens dos locais da Amazônia, e no caso presente de Manaus, oportunizaria uma relação custo/benefício extremamente favorável para o desenvolvimento amazônico em bases soberanas, na medida em que o numerador criado e realizado seria infinitamente maior do que as evidências hoje metrificadas da produção high tech.

A Amazônia é um sítio único deste planeta e com singularidade deve ser trabalhada pelo menos enquanto perdurar sua organização social planetária em Estados nacionais, politicamente configurados em territórios que privilegiam seus capitais e suas tecnologias. Para tanto, devemos criar nosso próprio capitalismo, como dito acima, no sentido de mínima e adequadamente autônomo, estruturado no desenvolvimento sustentável, com investimentos verdes, tecnologia limpa, consumo inteligente etc. etc. Esse desafio se supera com políticas de oferta e demanda industriais e tecnológicas convergentes etc. etc.

Para começar fica a proposta de se medir o crescimento econômico de Manaus com base no conceito de Produto Nacional Bruto - PNB, ou melhor, Produto Manauara Bruto, ao invés de Produto Industrial Bruto – PIB. Com isso, teremos a clara percepção de nossa dependência por grandes capitais e tecnologias exógenas.

Essa é outra forma de dizer, de escrever, o que já venho dizendo, escrevendo há algum tempo. E olha que não sou o primeiro, apesar de poder estar sendo original, com a adoção de um paralelo esdrúxulo, como poderiam argumentar sobre o anarquismo, aqueles mais afeitos a modelos cartesianos. O link entre o paralelo, a argamassa que agrega esperanças aparentemente contraditórias está na perspectiva da solidariedade que permeia tanto o princípio do anarquismo, quanto o princípio do desenvolvimento sustentável. Solidariedade social. Solidariedade política. Solidariedade cultural. Solidariedade institucional. Solidariedade ecológica. Solidariedade ambiental. Solidariedade econômica. Solidariedade religiosa. Essas são as trilhas tanto do anarquismo quanto da sustentabilidade.

Após a análise e reflexão, verão que não há nada de extraordinário nessa minha abstração. Tenho certeza que para a consciência de cada qual vertida à uma Amazônia livre e independente, minha abstração será perfeitamente convergente.

A partir do conceito de liberdade libertária derivado do anarquismo fica mais fácil, pois a teoria anarquista prima pelas diferenças entre os indivíduos. De igual forma, a Amazônia deve ser adotada e privilegiada como algo absolutamente diferente.

Os sistemas capitalista e socialista-real aparelham ideologiamente os indivíduos pelas semelhanças. Desta forma, fica possível um maior controle social mantenedor do status quo. O primeiro vitorioso – até o momento contemporâneo – fez o segundo sucumbir ao desenvolvimento tecnológico convertido em consumo de massa, aplicando um controle social muito mais refinado.

A liberdade libertária, preconizada pelo anarquismo, que está acima da liberdade civil, econômica, política e religiosa é visível matematicamente lançando as diferenças no numerador ao invés das semelhanças, estando no denominador a soma de ambas as variáveis.

Para a associação das amazonidades como diferenças e do PIM como semelhanças é passo... Do ponto de vista do crescimento econômico podemos entender Manaus condicionada à trajetória tecnológica derivados dos pacotes tecnológicos exógenos. A base tecnológica da microeletrônica, das TIC’s, da nonotecnologia, de novos materiais, etc., devem estar a serviço, sobretudo, para a emergência de amazonidades, isto é, se tivermos energia, disciplina, coragem e determinação poderemos inverter o jogo do nosso desenvolvimento contribuindo de forma sustentável para um novo marco civilizatório.

Finalmente, tomo a liberdade de fazer homenagem sincera ao Armando Mendes.[2] Ele o primeiro a adotar, segundo meus registros históricos, o conceito de amazonidades numa expressão muito mais larga do que a minha adaptada à lógica da produção e distribuição de produtos e serviços com base em insumos e saberes da floresta, porque a insere na dimensão cultural, como mesmo o conceito de brasilidade. Igualmente, homenageio Ozório Fonseca, um articulista local de referência, que trabalha em seus artigos amazonidades todas as semanas.

 



[1] Reflexão inicial do livro Sínteses & Reflexões: em prol das amazonidades como ideário de desenvolvimento, de Antônio José Botelho, publicado em 2010 pelo www.clubedeautores.com.br .

[2] Armando Mendes, em seu livro Amazônia: modos de (o)usar, publicado pelo Editora Valer, em 2001, anuncia e pronuncia assim, às páginas 82-88, as específicas amazonidades sob sua perspectiva ontológica-ecumêmica-ecológica-profética-produtiva: “Toda e qualquer amazonidades não é senão um caso particular, localizado, da acepção e da concepção gerais de regionalidade. É a feição desta nossa realidade, tanto por obra e graça da natura do sítio, quanto por artes e manhas (artimanhas quem sabe) da cultura nele situada. Não, entretanto, as expressões que venham a defluir de conjunturas econômicas e sociais ou políticas, e sim, as de contextura natural e humanal ou antrópica. Quer dizer: as singularidades amazônicas permanentes, continuadas, as ‘normais’. As geradas in loco e sponte sua, não as contraídas por contágio ou por exposição a outras influências. Salvo, entre estas, as assimiladas e transfiguradas pelo espírito do lugar, que ninguém vive num insular pequeno mundo à margem da multidão. Serão, então, amazonidades derivadas ou adotivas... Acrescente-se: formando bem regionalmente, e com perdão pela insistência, cestas ou paneiros ou cofos de empreendimentos agroindustriais beneficiados por economias de escala e de aglomeração, integrando toda uma extensa cadeia produtiva. Integrada vertical e horizontalmente. Produzindo para robusto mercados forâneos, insisto, aquilo que nos é peculiar [grifei]. E oferecendo até, no primeiro momento, à revelia de uma prévia procura efetiva – a oferta abrindo por mérito próprio clareiras [na vereda normativa; adicionei] e nichos autônomos, perduráveis, para os nossos ‘exóticos’ produtos, em mercados idióticos... Mais: retendo na região os lucros gerados, e reinvertendo-os. Multiplicando internamente (internalizando, não internacionalizando) renda e emprego... Fixando, dessa maneira, de maneira condigna, em nosso interior, populações que na ausência de uma estrutura econômica encadeada ficariam, como em larga medida têm ficado, à deriva. Assumindo, em última instância, as rédeas da nossa caminhada. Praticando, como necessário, em função do seu maior empenho, o melhor dos seus desempenhos. Um desempenho atlético.” Ver-se-á, claramente, que a conceituação que este autor adota de amazonidades está contida na conceituação mais ampla de Armando Mendes, que em nota de rodapé adiciona: “Amazonidade(s), como regionalidade, à semelhança de brasilidade, latinidade, lusitanidade, mineiridade, todos os vocábulos dicionarizados e portando, portanto, carteira de identidade”. Em verdade, deve estar registrado que a sua “Bula Amazônica, comportando uma utopia prospectiva, um projeto propositivo e uma agenda prescritiva” contém, também, o conceito growing up que este autor adota como campo de ação da sua versão restrita de amazonidades, apenas ajustado a códigos quais fronteira tecnológica, sistemas locais de inovação, trajetórias tecnológicas, dentre outros. Ozório Fonseca também adota a definição de amazonidades idealizada por Armando Mendes, tendo, inclusive, registrado trechos da mesma no prólogo do seu livro intitulado Amazonidades, justificando, portanto, o título. Nesse livro, cuja edição está esgotada, Ozório Fonseca reuniu cem artigos publicados no Jornal do Commercio, a qual foi editada para comemorar cem anos daquele Jornal.